

26 de mar. de 2026
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A bispa Sarah Mullally foi oficialmente entronizada em 25 de março de 2026 como a primeira mulher a assumir a liderança espiritual da Igreja Anglicana, rompendo 105 anos de hegemonia masculina no cargo de arcebispo de Canterbury.
A cerimônia ocorreu na histórica Catedral de Canterbury, sudeste da Inglaterra, reunindo cerca de 2 mil pessoas, incluindo o primeiro-ministro Keir Starmer e o príncipe William, acompanhado da Princesa Kate, além de líderes religiosos e fiéis da Comunhão Anglicana em 165 países.
Aos 63 anos, Mullally, ex-enfermeira, casada e mãe de dois filhos, prestou juramento solene comprometendo-se a servir a Igreja da Inglaterra e toda a Comunhão Anglicana, “para que juntos proclamemos o Evangelho de Cristo que nos reconcilia com Deus e derruba os muros que nos dividem”.
Antes da entronização, percorreu a pé, em peregrinação, o trajeto entre a Catedral de São Paulo e Canterbury. Ordenada sacerdotisa em 2002, tornou-se a primeira bispa de Londres em 2018, quatro anos após a liberação do episcopado feminino, uma medida que gerou intenso debate interno sobre tradição, gênero e modernização da instituição. Mullally sucede Justin Welby, que renunciou em novembro de 2024 após críticas à condução de escândalos de agressão física e sexual dentro da Igreja.
Sua nomeação, embora histórica, enfrenta resistência, especialmente de líderes anglicanos africanos, refletindo tensões internas sobre igualdade de gênero e papel da mulher na religião. Dados da World Christian Database apontam que a América Latina abriga cerca de 958 mil anglicanos, sendo o Brasil o país com maior comunidade na região, com aproximadamente 103 mil fiéis.
Analistas críticos observam que a cerimônia simboliza não apenas uma mudança de liderança, mas um passo contra estruturas históricas de poder patriarcal sustentadas por séculos de tradição religiosa colonial e imperial britânica.
A entronização de Mullally marca, portanto, um momento de ruptura simbólica e política no interior de uma instituição que durante séculos exerceu influência direta sobre políticas sociais, educação e moralidade no Reino Unido e em suas ex-colônias.
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