

15 de mar. de 2026
Mulheres Sem Terra ocupam 14 latifúndios e denunciam violência e concentração de terras no Brasil
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Mais de 15 mil militantes participaram da Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra de 2026, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) entre os dias 8 e 12 de março em 24 estados brasileiros e no Distrito Federal. A mobilização incluiu marchas, bloqueios de estradas, atos políticos, atividades de formação e ocupações de terras consideradas improdutivas, marcando a abertura do calendário anual de lutas do movimento. Durante a jornada, 14 latifúndios foram ocupados em diferentes regiões do país, incluindo áreas localizadas nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Pernambuco, Piauí e Tocantins. Pernambuco concentrou o maior número de ocupações, com sete propriedades tomadas por camponesas, enquanto os demais estados registraram uma ocupação cada.
As atividades foram organizadas sob o lema “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar!”, destacando a centralidade da luta pela terra e o enfrentamento da violência contra mulheres e meninas no campo. Segundo a coordenação do MST, a jornada buscou denunciar a concentração fundiária e o avanço do agronegócio, da mineração e de projetos considerados predatórios sobre territórios camponeses. Lizandra Guedes, integrante da coordenação nacional do setor de Gênero do MST, afirmou que a mobilização pretende fortalecer a organização das mulheres nas lutas sociais e nos processos produtivos do movimento. “A Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra abriu o calendário de lutas do Movimento, demonstrando a importância da Reforma Agrária Popular para a construção de um país justo, solidário e sem violências”, declarou. A dirigente destacou que o enfrentamento das violências estruturais deve ocupar posição central nas mobilizações sociais.
Outra dirigente do movimento, Margarida Silva, conhecida como Magal, assentada da reforma agrária em Alagoas e integrante da coordenação nacional do MST, afirmou que a jornada também teve como objetivo denunciar o papel do capital e das grandes empresas na exploração dos territórios rurais. “Nesta Jornada de Lutas também denunciamos o capital, a mineração e as suas diversas facetas e os impactos que isso tem trazido não só na vida das mulheres Sem Terra, mas na sociedade em geral”, afirmou.
O debate ocorre em meio ao aumento da violência de gênero no Brasil. Dados citados pelo movimento indicam que o país registrou em 2025 um total de 1.568 feminicídios, média superior a quatro mulheres assassinadas por dia por razões de gênero, representando aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Segundo levantamento da Rede de Observatórios da Segurança, os registros de violência sexual também cresceram, com 961 casos contabilizados e média de 12 vítimas por dia, mais da metade delas meninas entre 0 e 17 anos.
Para Magal, os desafios das camponesas incluem denunciar o modelo de desenvolvimento baseado no chamado hidro-agro-minério negócio, enfrentar o aumento da violência de gênero e ampliar a participação das mulheres nas estruturas organizativas do movimento. A dirigente também destacou a importância da produção de alimentos agroecológicos e da expansão das agroindústrias camponesas como parte de um projeto de Reforma Agrária Popular. Segundo ela, a luta pela terra continua sendo elemento central para a construção de um país capaz de enfrentar desigualdades sociais e garantir condições dignas de vida para trabalhadores rurais e populações do campo.
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