

25 de mar. de 2026
MODO DE NAVEGAÇÃO
Um bebê palestino de um ano e meio foi devolvido à família com ferimentos de bala e sinais de queimadura após ser sequestrado por forças de ocupação israelenses no campo de refugiados de Al-Maghazi, na Faixa de Gaza. O caso ocorreu em 19 de março de 2026, quando o pai da criança, Osama Abu Nassar, também foi levado sob fogo direto de tropas e drones militares. A criança, identificada como Jawad, foi entregue cerca de 12 horas depois por meio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, enquanto o pai permanece detido e ferido. Relatos médicos indicam que o bebê apresentava perfurações nas pernas e uma lesão compatível com queimadura de cigarro. O episódio se insere no contexto do genocídio contínuo imposto à população palestina desde outubro de 2023.
Segundo relato de Waad Al-Shafie, mãe da criança, à agência WAFA em 24 de março de 2026, o pai carregava o filho nos braços quando soldados abriram fogo e um drone quadricóptero ordenou, por alto-falante, que ele colocasse o bebê no chão e seguisse em direção às tropas. “Naquele momento, ouvimos tiros. Os soldados levaram a criança e o pai. Foi o que testemunhas nos disseram”, afirmou.
Cerca de 12 horas depois, a família recebeu um telefonema do Comitê Internacional da Cruz Vermelha informando que a criança poderia ser recolhida no mercado do campo de Al-Maghazi, por volta das 22h. O bebê foi entregue envolto em um lençol médico descartável, impedindo que a mãe avaliasse imediatamente seu estado de saúde.
“Quando examinei meu filho em casa, fiquei chocada ao ver sua calça manchada de sangue. Depois verifiquei o corpo dele e fiquei horrorizada ao encontrar três ferimentos circulares — dois na perna esquerda e um na direita”, relatou Waad. A criança foi levada às pressas ao Hospital Al-Aqsa, em Deir al-Balah, onde exames indicaram que uma das lesões era de entrada e saída de projétil, enquanto a outra apresentava características de queimadura, possivelmente provocada por cigarro.
De acordo com Mohammad Abu Nassar, avô da criança, não houve fraturas, mas os ferimentos exigiram atendimento emergencial. Enquanto isso, o paradeiro do pai permanece desconhecido. “Um representante da Cruz Vermelha nos informou que meu marido está ferido e detido pelas forças de ocupação. Não sabemos onde ele está nem a gravidade de seu estado”, disse Waad.
O episódio expõe a prática sistemática de detenções arbitrárias e o bloqueio de acesso a prisioneiros palestinos por organismos internacionais. Segundo relatos locais, forças de ocupação impedem visitas da Cruz Vermelha a detentos, ocultando condições de saúde e denúncias de tortura. Desde o início do genocídio em Gaza, cerca de 70 prisioneiros palestinos morreram sob custódia, seja por tortura direta ou negligência médica.
Osama Abu Nassar, de 25 anos, vivia com a família a cerca de 300 metros da chamada “linha amarela”, zona estabelecida no acordo de cessar-fogo de 11 de outubro de 2025 para separar áreas residenciais da presença militar. Na prática, segundo moradores, a linha funciona como zona de tiro livre, com disparos constantes de veículos militares e drones.
Desde esse acordo, forças de ocupação já mataram 687 palestinos e feriram outros 1.845 em Gaza, por meio de bombardeios, artilharia e fogo direto, segundo dados locais. O número total de mortos desde 7 de outubro de 2023 chegou a 72.263, incluindo mais de 20 mil crianças — entre elas, mil com menos de um ano de idade.
apoie a ampliação do nosso trabalho
Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.
Frequência
1 vez
Mensal
Anual
Valor
R$ 10
R$ 20
R$ 30
R$ 40
R$ 50
R$ 100
R$ 200
Outro
/// Considere apoiar nosso trabalho com uma contribuição via PIX para a chave: jornalclandestino@icloud.com


































