
10 de mar. de 2026
R$ 195 milhões impulsionam protagonismo das mulheres na agroecologia da agricultura familiar
MODO DE NAVEGAÇÃO
O programa Da Terra à Mesa, criado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) para apoiar iniciativas de transição agroecológica no campo brasileiro, vem ampliando a participação das mulheres na agricultura familiar em todo o país por meio de investimentos públicos e parcerias com organizações da sociedade civil; lançado em duas edições consecutivas, em 2024 e 2025, o programa já destinou R$ 195 milhões para projetos voltados ao fortalecimento de sistemas produtivos agroecológicos e à promoção da autonomia das agricultoras rurais. Ao todo, 55 organizações foram selecionadas para executar iniciativas nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal, beneficiando aproximadamente 29 mil famílias da agricultura familiar que participam de projetos voltados à produção sustentável de alimentos, preservação ambiental e fortalecimento de redes produtivas locais. Os dados do programa revelam forte presença feminina nas iniciativas apoiadas: no primeiro edital, lançado em 2024, mais de 13 mil agricultores foram cadastrados até o momento, dos quais quase 6 mil mulheres, o equivalente a 46% dos beneficiários; na edição seguinte, lançada em 2025, a participação feminina aumentou ainda mais, com previsão de quase 16 mil beneficiários nos planos de trabalho das organizações selecionadas, sendo cerca de 8 mil mulheres, o que representa aproximadamente 50% do público atendido. Somadas as duas etapas da política pública, o programa pretende alcançar mais de 14 mil mulheres agricultoras em diferentes regiões do país, ampliando o reconhecimento do papel central das mulheres na produção de alimentos e na construção de sistemas agroecológicos. Para a coordenadora do programa Da Terra à Mesa, Geane Bezerra, os números refletem uma realidade histórica das comunidades rurais brasileiras. “Os números do programa revelam algo que já é realidade nas comunidades rurais: as mulheres são protagonistas na produção de alimentos e na construção de práticas agroecológicas. São elas que, no cotidiano dos quintais, das roças e das redes comunitárias, preservam sementes, diversificam a produção e desenvolvem estratégias de cuidado com a terra, a água e a biodiversidade. O Da Terra à Mesa reconhece e fortalece esses saberes e práticas, ampliando as condições para que as agricultoras sigam liderando processos de transição agroecológica em seus territórios”, afirmou. Entre as organizações contempladas no primeiro edital do programa está a Confederação da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes Nacional), que recebeu apoio para a entrega de equipamentos produtivos destinados a grupos organizados da agricultura familiar, incluindo 14 microtratores equipados com engate, enxada rotativa e encanteirador, além de balanças computadorizadas e estruturas para produção de bioinsumos. A presidente da Unicafes Nacional, Fátima Torres, destacou que o acesso a equipamentos apropriados tem impacto direto na participação feminina na produção agrícola. “Equipamentos como esse permitem que cada vez mais mulheres estejam presentes na produção. Esse tratorito, por exemplo, vem acompanhado de um encanteirador, que é uma atividade muito pesada quando feita manualmente. Com essa tecnologia, um trabalho que levaria dois ou três dias pode ser feito em cerca de quinze minutos, aumentando a produtividade e diminuindo a penosidade do trabalho das mulheres”, afirmou. Outro projeto apoiado envolve a Associação Vianei de Cooperação e Intercâmbio no Trabalho, Educação, Cultura e Saúde (AVICITECS), conhecida como Centro Vianei, que atua na região da Serra Catarinense e desenvolve iniciativas voltadas à implantação de sistemas produtivos agroecológicos e à distribuição de equipamentos e insumos para famílias agricultoras. No município de Cerro Negro, em Santa Catarina, as ações são acompanhadas pela administração municipal e por organizações comunitárias que trabalham diretamente com produtoras rurais. A psicóloga Dariane Arruda Rossi, servidora pública municipal há dez anos e atual secretária de Assistência Social do município, relatou os impactos observados nas comunidades rurais. “Hoje estamos mais próximos das produtoras e bastante satisfeitos com o andamento dos projetos no município. As mulheres são muito ativas e percebemos um empoderamento feminino muito grande na agricultura familiar aqui em Cerro Negro. A prefeitura tem buscado dar suporte e estar mais presente nas comunidades do interior, e tem sido muito gratificante acompanhar essa atuação junto às mulheres que trabalham no campo”, declarou. Grande parte das iniciativas apoiadas pelo programa envolve a criação de quintais agroecológicos, sistemas agroflorestais e produção diversificada de alimentos, práticas frequentemente lideradas por mulheres nas comunidades rurais. Entre os 55 projetos apoiados pelo programa, 38 preveem a implantação ou fortalecimento de quintais produtivos conduzidos por agricultoras em diferentes regiões do Brasil. Ao todo, serão implantados 8.775 quintais produtivos agroecológicos, com investimento aproximado de R$ 80 milhões, fortalecendo a produção de alimentos saudáveis, a segurança alimentar das famílias e a geração de renda nas comunidades rurais. O programa também amplia o acesso à assistência técnica e extensão rural (ATER), investe em processos de formação e articula os projetos com outras políticas públicas voltadas à agricultura familiar, incluindo linhas de crédito do Pronaf, programas de aquisição de alimentos (PAA) e iniciativas de alimentação escolar como o PNAE. Entre os equipamentos distribuídos aos grupos participantes estão motocultivadores, roçadeiras, perfuradores de solo, ensiladeiras, kits de irrigação e bombas movidas a energia solar, tecnologias que contribuem para reduzir o esforço físico do trabalho agrícola cotidiano e ampliar a autonomia produtiva das agricultoras. Para o secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia do MDA, Vanderley Ziger, o fortalecimento do protagonismo feminino no campo é decisivo para o futuro da agricultura familiar brasileira. “As mulheres sempre tiveram papel central na produção de alimentos e na organização das comunidades rurais. Programas como o Da Terra à Mesa ajudam a ampliar esse protagonismo, garantindo acesso à assistência técnica, tecnologias e investimentos que fortalecem a autonomia produtiva e a renda das famílias agricultoras”, afirmou. Na primeira edição do programa, lançada em 2024, foram selecionadas 10 organizações da sociedade civil com investimento de R$ 35 milhões; já em 2025 o MDA ampliou significativamente a iniciativa, elevando o número de entidades contempladas para 45 organizações e aumentando o volume de recursos para R$ 160 milhões, crescimento superior a 300% em relação à fase inicial da política pública, segundo informações divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar em 10 de março de 2026.
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