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24 de mar. de 2026

MODO DE NAVEGAÇÃO

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, declarou em 22 de março de 2026 que a estratégia do governo de Donald Trump frente ao Irã consiste em “jogar jiu-jitsu”, justificando ameaças militares e pressão econômica como instrumentos legítimos de política externa.

A afirmação foi feita durante entrevista ao programa Meet the Press, da NBC, um dia após Trump publicar em sua rede Truth Social que, caso o Irã não reabrisse o Estreito de Ormuz “completamente, sem ameaças” em até 48 horas, as forças militares estadunidenses “atacariam e obliterariam” instalações energéticas iranianas, começando pela maior delas.

A região em disputa concentra cerca de 20% do fluxo global de petróleo, e seu bloqueio parcial ocorreu após a ofensiva militar iniciada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Em resposta, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que qualquer ataque à infraestrutura do país transformaria instalações energéticas regionais em “alvos legítimos”, ampliando o risco de uma crise energética global.

Apesar da retórica agressiva, o governo estadunidense evitou até o momento atingir diretamente o setor petrolífero iraniano, tendo inclusive orientado Israel a não repetir ataques contra grandes usinas após a retaliação iraniana que atingiu a cidade industrial de Ras Laffan, no Catar, responsável por aproximadamente um quinto do processamento global de gás natural liquefeito.

Paralelamente, Bessent anunciou a suspensão de sanções sobre cerca de 140 milhões de barris de petróleo iraniano retidos em navios-tanque, além de medidas similares envolvendo petróleo russo, numa tentativa de conter a alta dos preços no mercado internacional, evidenciando uma política que combina coerção militar e pragmatismo econômico.

Durante a entrevista, o secretário rejeitou questionamentos sobre possíveis aumentos de impostos para financiar o conflito, classificando a pergunta como “ridícula” e afirmando que o orçamento militar anual de cerca de um trilhão de dólares seria suficiente, apesar de o Pentágono buscar até 200 bilhões adicionais junto ao Congresso.

Em outra declaração controversa, Bessent afirmou que o sistema de comando iraniano estaria “em caos”, comparando-o ao “bunker de Hitler”, e sugeriu que as respostas iranianas seriam ações isoladas, minimizando a capacidade organizacional do país.

A narrativa foi contestada pelo senador Chris Murphy, que afirmou que tais argumentos repetem justificativas utilizadas durante a Guerra do Vietnã e nas duas décadas de ocupação do Afeganistão, marcadas por fracassos estratégicos e altos custos humanos e financeiros.

O episódio evidencia a continuidade de uma política externa estadunidense baseada na ameaça e na pressão militar, mesmo diante de precedentes históricos que demonstram os limites e consequências desse modelo.

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