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23 de mar. de 2026

ONU pede mandados contra ministros israelenses por tortura de palestinos

MODO DE NAVEGAÇÃO

A relatora especial das Nações Unidas para os Territórios Palestinianos, Francesca Albanese, solicitou formalmente em 23 de março de 2026 a abertura de investigações internacionais e a emissão de mandados de captura contra três ministros do governo israelense, acusados de envolvimento direto em práticas sistemáticas de tortura contra palestinos. O pedido foi apresentado durante sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, onde Albanese identificou nominalmente o ministro da Defesa, Israel Katz, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich. No relatório, a relatora afirma que a tortura tem sido utilizada como instrumento político e estrutural, classificando-a como uma “forma de genocídio” contra o povo palestino e denunciando que o Estado israelense concedeu “licença efetiva” para tais práticas. Segundo dados apresentados, aproximadamente 18.500 palestinos foram detidos desde outubro de 2023, incluindo crianças, médicos, jornalistas e trabalhadores humanitários, muitos dos quais teriam sido submetidos a maus-tratos, violência física e psicológica durante a detenção. O documento insere essas práticas no contexto mais amplo do genocídio em curso na Faixa de Gaza e nos territórios ocupados, intensificado após outubro de 2023, quando Israel lançou uma ofensiva militar de grande escala sob justificativa de responder a ataques do Hamas. Essa ofensiva resultou em destruição massiva de infraestrutura civil, deslocamento forçado de populações e uma crise humanitária de grandes proporções, amplamente denunciada por organismos internacionais. Albanese sustenta que o uso sistemático da tortura não é um desvio, mas parte integrante de uma política estatal de repressão e dominação colonial sobre o povo palestino. A relatora também enfatizou a necessidade de responsabilização internacional, criticando a impunidade recorrente garantida por alianças políticas e militares, especialmente com potências ocidentais. O posicionamento ocorre em meio ao crescente isolamento diplomático de Israel em fóruns multilaterais, ainda que protegido por vetos e apoio político de governos como o dos Estados Unidos. Ao trazer à tona nomes de altos membros do governo, o relatório rompe com a tradição de generalizações diplomáticas e aponta diretamente para a cadeia de comando política. A iniciativa pressiona mecanismos jurídicos internacionais a avançarem além de declarações simbólicas e enfrentarem a estrutura de poder que sustenta as violações denunciadas.

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