

15 de mar. de 2026
Crise energética em Cuba provoca protestos enquanto sanções dos EUA estrangulam combustível
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Autoridades cubanas investigam um protesto ocorrido em 14 de março de 2026 na província de Ciego de Ávila, a cerca de 460 quilômetros de Havana, após manifestantes atacarem a sede municipal do Partido Comunista durante mobilizações contra apagões prolongados e escassez de alimentos. Segundo o jornal local Invasor, o episódio começou como uma manifestação pacífica, mas evoluiu para vandalismo após discussões entre participantes e autoridades locais. Um grupo menor lançou pedras contra a entrada do edifício e incendiou móveis na rua.
Relatórios iniciais baseados em publicações nas redes sociais indicaram danos a outros estabelecimentos, incluindo uma farmácia e uma loja da rede estatal Tiendas Caribe. Cinco pessoas foram detidas e outra foi encaminhada ao Hospital Geral Universitário Provincial Capitán Roberto Rodríguez após cair sob efeito de álcool. O Ministério do Interior informou que forças especializadas continuam investigando o incidente.
O país, com aproximadamente 9,6 milhões de habitantes, enfrenta escassez severa de combustível e produtos básicos. A situação foi agravada pela suspensão do fornecimento de petróleo venezuelano em janeiro, após o sequestro de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, além do bloqueio petrolífero mantido por Washington contra a ilha.
Segundo o presidente Miguel Díaz-Canel, Cuba enfrenta uma das mais graves crises energéticas de sua história recente. “Já se passaram mais de três meses desde que qualquer carregamento de combustível entrou em nosso país, e estamos trabalhando em condições muito adversas que estão tendo um impacto imensurável na vida de todo o nosso povo”, afirmou.
A falta de energia elétrica afeta também o abastecimento de água e o transporte de alimentos, que dependem de motores e bombas elétricas. Marcelo Durão, integrante de uma brigada do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra presente em Cuba, afirmou ao Brasil de Fato que os protestos refletem dificuldades reais do cotidiano. “Sem luz, você também pode ter um problema do abastecimento hidráulico, porque todo o transporte de água em Cuba é feito a partir de bombas elétricas”, explicou. Ele também afirmou que grupos baseados em Miami tentam explorar o descontentamento social para promover mobilizações contrarrevolucionárias por meio de plataformas como Rádio e TV Martí e influenciadores digitais.
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