

27 de mar. de 2026
MODO DE NAVEGAÇÃO
O secretário de Estado estadunidense Marco Rubio declarou em 27 de março de 2026 que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky “mentiu” ao afirmar que teria sido proposta uma troca de garantias de segurança pela cessão da região do Donbass à Rússia, evidenciando fissuras públicas entre aliados ocidentais durante negociações conduzidas pela Casa Branca.
A fala ocorreu após reunião do G7 realizada nas proximidades de Paris e foi registrada pela agência Lusa, que destacou a tensão entre Kyiv e Washington em torno dos termos de um eventual acordo de paz. “Isso é mentira”, afirmou Rubio a jornalistas, acrescentando que “é lamentável que [Zelensky] o tenha dito, porque sabe que não é verdade”, em referência direta às declarações do líder ucraniano sobre pontos centrais das negociações.
O episódio expõe um cenário de crescente desgaste na aliança entre Estados Unidos e Ucrânia, sobretudo diante das pressões por concessões territoriais em favor da Rússia, enquanto Washington busca reposicionar suas prioridades militares em múltiplos teatros de conflito.
Em paralelo, Rubio não descartou a possibilidade de redirecionar equipamentos militares originalmente destinados à Ucrânia para o Oriente Médio, onde uma ofensiva aérea conduzida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã se intensificou há quase um mês, ampliando o alcance do conflito para outros países da região.
Essa admissão reforça críticas sobre a política externa estadunidense, frequentemente marcada pela sobreposição de frentes militares e pelo uso instrumental de aliados estratégicos conforme interesses geopolíticos variáveis.
A guerra por procuração na Ucrânia, sustentada por financiamento e armamento ocidentais desde 2022, passa a disputar recursos com outra escalada militar, levantando questionamentos sobre a real capacidade de sustentação de múltiplas operações simultâneas por parte de Washington. Ao mesmo tempo, a possibilidade de deslocamento de armamentos revela uma dinâmica de priorização estratégica que pode deixar Kyiv em posição vulnerável, especialmente em um momento em que negociações sensíveis estão em curso.
O encontro do G7, composto pelas principais economias capitalistas industrializadas, ocorre em um contexto de reconfiguração das alianças globais, com tensões crescentes envolvendo Rússia, Irã e blocos emergentes como os BRICS.
Nesse cenário, as declarações de Rubio não apenas desmentem Zelensky, mas também indicam a tentativa de controle narrativo por parte do governo estadunidense, que busca preservar sua posição de liderança ao mesmo tempo em que ajusta suas prioridades militares e diplomáticas conforme os interesses estratégicos globais.
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