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Fazendeiro iraquiano é morto em possível tentativa de encobrir presença de bases israelenses

Um pastor iraquiano foi morto após localizar duas instalações militares israelenses secretas no deserto do Iraque, segundo investigação publicada pelo The New York Times e reproduzida pelo Middle East Eye em 17 de maio de 2026. O caso ampliou denúncias sobre operações israelenses clandestinas em território iraquiano com apoio logístico e cobertura política estadunidense. Parlamentares iraquianos acusam Washington de ter permitido o uso do espaço aéreo e do território do país para operações israelenses durante a escalada militar contra o Irã.


Najaf, no sudoeste do Iraque, em 12 de maio de 2026 (Qassem al-Kaabi/AFP)
Najaf, no sudoeste do Iraque, em 12 de maio de 2026 (Qassem al-Kaabi/AFP)

A investigação aponta que Awad al-Shammari encontrou uma das instalações militares enquanto circulava pelo deserto da província de Najaf, no sudoeste do Iraque. Segundo testemunhas locais ouvidas pelo The New York Times, um helicóptero abriu fogo contra o caminhão do pastor após sua aproximação da área militar.


Familiares relataram que Shammari desapareceu por dois dias antes de ser encontrado morto ao lado do veículo incendiado. “Disseram-nos que havia uma caminhonete incendiada, igual à do Awad, lá fora, mas ninguém se atreveu a ir até lá”, afirmou Amir al-Shammari, primo da vítima, ao The New York Times. “Quando chegamos lá, encontramos o carro e o corpo queimados.”

O Wall Street Journal informou na semana anterior que Israel havia instalado um posto avançado secreto no deserto ocidental do Iraque durante a escalada militar contra o Irã. Segundo o jornal estadunidense, a base foi usada para apoiar operações aéreas e abrigar unidades de forças especiais israelenses.


A instalação teria sido construída em fevereiro de 2026, antes do início das operações militares diretas entre Israel, Estados Unidos e Irã. Ainda de acordo com o Wall Street Journal, a base foi utilizada em março durante uma operação contra tropas iraquianas que teriam se aproximado da instalação militar clandestina.


O jornal israelense Maariv relatou que as forças armadas israelenses posicionaram equipes de resgate e unidades de comando na instalação. O objetivo seria retirar pilotos israelenses abatidos dentro do território iraniano durante ataques realizados contra o Irã.


Fontes oficiais ouvidas pelo The New York Times afirmaram que existia uma segunda base israelense na mesma região desértica. Segundo o relatório, essa instalação antecedia a atual escalada militar e já havia sido utilizada durante operações israelenses ligadas à ofensiva contra o Irã em junho de 2025.


As mesmas fontes declararam ao jornal estadunidense que Washington tinha conhecimento da existência da base desde pelo menos junho de 2025. A informação elevou pressões internas no Iraque após surgirem acusações de que autoridades estadunidenses ocultaram a presença militar israelense do governo iraquiano, apesar da parceria formal entre Bagdá e Washington.


O deputado iraquiano Raed al-Maliki acusou os Estados Unidos de coordenarem diretamente a abertura do espaço aéreo iraquiano para operações israelenses. “Os Estados Unidos entregaram o espaço aéreo iraquiano à entidade durante a guerra e ordenaram o desligamento dos sistemas de radar. Agora ficou claro que o território iraquiano também foi usado para estabelecer um centro ou base secreta de inteligência para a entidade sionista”, declarou o parlamentar.


A revelação provocou reações no parlamento iraquiano e ampliou cobranças contra o governo em Bagdá. Setores políticos passaram a exigir investigação sobre a atuação militar israelense dentro do território nacional e sobre o papel desempenhado pelas forças estadunidenses instaladas no Iraque desde a invasão de 2003.


O caso reacendeu debates sobre a permanência da estrutura militar estadunidense no Iraque mais de duas décadas após a ocupação iniciada sob a justificativa das inexistentes “armas de destruição em massa”. Desde então, bases militares, operações de inteligência e controle do espaço aéreo iraquiano permaneceram sob influência direta de Washington, enquanto Israel expandiu ações clandestinas na região em articulação com operações estadunidenses contra o Irã e grupos aliados de Teerã.


O governo iraquiano não comentou oficialmente as denúncias divulgadas pelo The New York Times, pelo Wall Street Journal, pelo Maariv e pelo Middle East Eye.

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