Hegseth demite secretário da Marinha, Phelan, em nova reestruturação no Departamento de Guerra
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- 23 de abr.
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Na quarta-feira, o Departamento de Guerra estadunidense confirmou a demissão do secretário da Marinha, John Phelan, em mais uma mudança abrupta conduzida por Pete Hegseth. A decisão ocorre em meio a tensões internas e denúncias de disputa sobre a cadeia de comando dentro do aparato militar estadunidense. O afastamento foi anunciado sem explicações formais pelo porta-voz Sean Parnell, segundo publicação feita no Facebook. O subsecretário da Marinha, Hung Cao, assume interinamente o cargo. O episódio se insere em uma sequência de reorganizações sob o segundo mandato do presidente Donald Trump.

A demissão de John Phelan foi comunicada na quinta-feira (23), quando o porta-voz do Departamento de Guerra estadunidense, Sean Parnell, afirmou publicamente que o secretário da Marinha “está deixando o governo, com efeito imediato”, sem apresentar justificativas oficiais para a decisão. A substituição imediata pelo subsecretário Hung Cao reforça o padrão de rotatividade acelerada na estrutura militar, sob comando do Secretário de Guerra Pete Hegseth, que tem promovido uma série de exonerações em cargos estratégicos. O caso se soma a mudanças anteriores que incluíram a saída do chefe do Estado-Maior do Exército, Randy George, e de outros dois oficiais militares cerca de três semanas antes.
Segundo informações atribuídas ao veículo estadunidense Axios, uma fonte próxima à estrutura de decisão afirmou que “Phelan não entendeu que ele não era o chefe. O trabalho dele é seguir ordens, não ordens que ele acha que deveriam ser dadas”. A mesma fonte declarou ainda que havia um distanciamento político e operacional entre Phelan e Hegseth, agravado por comunicações diretas de Phelan com o presidente Donald Trump, o que teria sido interpretado como uma quebra da hierarquia interna. Dentro do Departamento de Guerra estadunidense, a avaliação de setores ligados a Hegseth é de que o ex-secretário da Marinha teria ignorado repetidamente a cadeia formal de comando.
O episódio ocorre em meio a um impasse naval envolvendo o Irã e os Estados Unidos, com destaque para a escalada no Estreito de Ormuz, onde a República Islâmica teria anunciado o fechamento indefinido da passagem estratégica em resposta a um bloqueio naval estadunidense descrito por Teerã como ilegal. A medida é apresentada pelas autoridades iranianas como condicionada à retirada do dispositivo militar imposto por Washington, enquanto o episódio amplia a pressão sobre rotas globais de energia e comércio marítimo. A crise naval se insere em um cenário mais amplo de confrontação política e militar entre os dois países, com impactos diretos sobre mercados internacionais de energia.
As mudanças no alto escalão militar estadunidense também ocorrem em paralelo a outras exonerações recentes promovidas por Hegseth, incluindo o afastamento de altos oficiais e disputas com o Secretário do Exército, Dan Driscoll, apontado como aliado do vice-presidente JD Vance e associado a iniciativas de reorganização estrutural das forças terrestres. A sequência de demissões reforça a percepção de instabilidade interna no aparato militar sob o segundo mandato do presidente Donald Trump, em um contexto de intensificação das operações externas.
Em 4 de abril, o presidente do Majlis (Parlamento) do Irã, Mohammad-Baqer Qalibaf, reagiu às demissões de oficiais militares estadunidenses promovidas por Hegseth, afirmando em publicação que “Generais experientes em combate se recusam a ser subservientes a um apresentador de TV que vende vidas americanas pelas ilusões de Israel”, em referência à trajetória televisiva do Secretário de Guerra. Qalibaf também afirmou que a pressão exercida pelo regime israelense teria influência direta na política externa estadunidense, apontando que a adesão de Washington às ações militares de Tel Aviv configura uma agressão não provocada.
O dirigente iraniano declarou ainda que as perdas humanas das forças estadunidenses representam um “preço de curto prazo” dessa escalada, enquanto os efeitos econômicos seriam prolongados, com impacto direto sobre os contribuintes estadunidenses por meio da volatilidade dos preços de combustíveis, associada às tensões no Estreito de Ormuz. Segundo sua avaliação, as manobras militares e estratégicas da República Islâmica naquele corredor marítimo provocaram repercussões nos mercados globais de energia, ampliando os custos estruturais da política externa de Washington.



































