Hezbollah diz que Irã garantiu trégua ao Líbano e acusa Israel de traição
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- 17 de abr.
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Um cessar-fogo de 10 dias entrou em vigor no Líbano após anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Autoridades do Hezbollah afirmam que o acordo foi resultado direto da pressão exercida pelo Irã sobre Washington e Tel Aviv. Parlamentares do bloco Lealdade à Resistência destacaram que a trégua só foi possível após intensificação das ações diplomáticas e ameaças militares iranianas. O acordo, no entanto, já enfrenta violações imediatas com ataques israelenses registrados após sua implementação. O Hezbollah alertou para o histórico de descumprimento de acordos por parte de Israel e pediu cautela à população.

O anúncio do cessar-fogo ocorreu na sexta-feira, 17 de abril de 2026, após dias de intensificação dos ataques israelenses ao sul do Líbano. Em pronunciamento oficial, Trump declarou uma trégua de 10 dias, mas lideranças libanesas rejeitam a narrativa de protagonismo estadunidense. Hussein Hajj Hasan, deputado do Hezbollah, afirmou em entrevista à emissora al-Manar que o acordo foi alcançado graças à “clara pressão iraniana”, acrescentando que o presidente estadunidense “cedeu” e forçou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a aceitar a suspensão das hostilidades.
Segundo Hasan, a articulação diplomática incluiu comunicação constante entre a Arábia Saudita e a República Islâmica do Irã, fator que contribuiu para viabilizar o acordo. Outro parlamentar do bloco, Hasan Fadlallah, confirmou que o embaixador iraniano em Beirute havia antecipado às autoridades libanesas que a trégua entraria em vigor na noite de quinta-feira. Ele classificou o cessar-fogo como resultado direto dos esforços diplomáticos de Teerã.
Fadlallah também declarou que o Irã acompanhará o cumprimento das obrigações assumidas pelos Estados Unidos no acordo, destacando que a retomada das negociações entre Teerã e Washington dependerá da execução concreta desses compromissos. Ele reforçou que a adesão do Hezbollah está condicionada à interrupção total das ações militares israelenses.
Em comunicado divulgado na quinta-feira à noite, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, afirmou que o cessar-fogo é fruto dos “esforços diplomáticos inabaláveis” do país. “Desde o início das conversas com diversas partes regionais e internacionais, incluindo as negociações com Islamabad, a República Islâmica do Irã insistiu constantemente na necessidade imperiosa de um cessar-fogo simultâneo em toda a região, incluindo o Líbano”, declarou. Ele acrescentou que, após as conversas no Paquistão, o Irã perseguiu esse objetivo “com máxima seriedade”.
Baqai também destacou que a trégua deve abrir caminho para a retirada completa do regime israelense do sul do Líbano, a libertação imediata de prisioneiros, o retorno seguro de deslocados e a reconstrução das áreas devastadas, com apoio internacional.
Fontes militares iranianas ouvidas pela rede Al Mayadeen indicaram que a trégua foi precedida por ameaças concretas de retomada de operações militares por parte de Teerã. Segundo essas fontes, o Irã suspendeu inicialmente ataques com mísseis após receber promessas sobre um cessar-fogo, enquanto Israel continuou suas operações, repetindo um padrão descrito como recorrente de violação de acordos.
Ainda de acordo com essas informações, na noite de quarta-feira o Irã estabeleceu um prazo definitivo para o fim das agressões ao Líbano. A combinação entre a resistência do Hezbollah no campo de batalha e a perspectiva de uma ofensiva iraniana em larga escala teria forçado a aceitação do cessar-fogo.
A pressão iraniana também esteve vinculada a negociações mais amplas com os Estados Unidos. Washington teria inicialmente aceitado um plano de 10 pontos proposto por Teerã, que incluía a trégua no Líbano, mas recuou após pressão israelense. Fontes indicam ainda que o Irã ameaçou boicotar as negociações realizadas em Islamabad caso os ataques continuassem, o que levou os Estados Unidos a pressionarem Israel.
Apesar do anúncio oficial à meia-noite, o cessar-fogo foi imediatamente violado. A Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA) informou que bombardeios israelenses atingiram as cidades de Khiam e Dibbine após a entrada em vigor da trégua. O relatório também registrou intensa atividade de drones israelenses no sudeste do país, sem detalhar danos ou vítimas.
Diante desse cenário, o Hezbollah divulgou comunicado orientando seus apoiadores a evitarem deslocamentos para áreas afetadas no sul do Líbano, na região de Bekaa e nos subúrbios do sul de Beirute. “Após o anúncio do cessar-fogo, e diante de um inimigo traiçoeiro acostumado a violar pactos e acordos, instamos vocês a exercerem moderação”, afirmou o grupo.
Hussein Hajj Hasan reforçou o alerta, afirmando que Israel já violou acordos semelhantes diversas vezes. “Estamos investigando se o inimigo respeitará o cessar-fogo e se absterá de atacar aldeias e retomar os assassinatos”, declarou.
O parlamentar também detalhou os objetivos imediatos da atual fase, incluindo a retirada das forças israelenses, o retorno de prisioneiros e deslocados internos, além da reconstrução das áreas destruídas. Ele acrescentou que Israel não alcançou seus objetivos militares, destacando que cidades estratégicas como Bint Jbeil e Khiam permaneceram fora de seu controle.



































