
O caminho de Ghassan Kanafani contra as ilusões burguesas – luta de classes e o futuro da causa palestina
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Donald Trump organiza eventos de 4 de julho em Washington com fogos de artifício, desfile, sobrevoo de 17 aviões e comício no National Mall para o 250º aniversário da Declaração da Independência. A empresa Event Strategies Inc participa da produção dessas celebrações e também atuou no comício de 6 de janeiro de 2021 no Ellipse antes da invasão do Capitólio dos Estados Unidos. O modelo de contratação envolve repasses federais e contratos ligados à entidade Freedom 250, com participação de assessores ligados diretamente à organização dos eventos.

A Event Strategies Inc (ESI) passou a receber dezenas de milhões de dólares em contratos federais desde o retorno de Trump à Casa Branca, em muitos casos sem processo de concorrência. A empresa também opera sob contratos com a Freedom 250, entidade descrita como semiprivada e financiada com recursos públicos, responsável por organizar eventos do calendário do 250º aniversário. Entre as atividades estão o comício de 4 de julho, a Great American State Fair, o evento de oração “Rededicate 250” e outras reuniões no National Mall.
A estrutura envolve o sócio da ESI, Justin Caporale, que ocupa também função de assessor na chamada “operação externa” de Trump como produtor executivo de eventos. Caporale participa de reuniões na Casa Branca e atua na elaboração de orçamentos das celebrações do 250º aniversário, segundo relatos de pessoa ligada aos preparativos. O arranjo coloca o mesmo agente envolvido na gestão de contratos federais e no planejamento das festividades financiadas por esses contratos.
Caporale não possui cargo no governo, mas sua atuação como consultor se estende ao planejamento de eventos pagos por contratos concedidos à própria empresa da qual é sócio. O deputado Jared Huffman afirma que a situação permite que ele “assine os próprios cheques de pagamento”. A assessoria da Casa Branca afirma que não participou da concessão dos contratos da Event Strategies por agências federais.
A porta-voz da Freedom 250, Danielle Alvarez, afirma que a empresa foi escolhida por capacidade técnica para eventos do 250º aniversário. A organização não divulga valores pagos à Event Strategies nem detalhamento de contratos. Segundo relato de pessoa ligada ao planejamento, a empresa recebe cerca de 3,5% dos valores administrados pela Freedom 250 para execução dos eventos.
A Freedom 250 foi criada como estrutura ligada à National Park Foundation, organização sem fins lucrativos associada ao Serviço Nacional de Parques. A entidade afirma que a estrutura não exige prestação de contas detalhada ao Congresso sobre a aplicação de recursos públicos. Alan Zibel, do Public Citizen, afirma que “a natureza opaca desse acordo torna o escrutínio público praticamente impossível”.
A Event Strategies foi fundada há 26 anos por operadores ligados a campanhas eleitorais e passou a atuar com Trump em 2015 no evento da escada rolante dourada na Trump Tower. Desde então, a empresa participou de todas as campanhas presidenciais de Trump e recebeu mais de 67 milhões de dólares de comitês políticos ligados a sua candidatura, segundo dados do New York Times.
Em 2020, o grupo Turning Point USA e o Women for America First contrataram a ESI para o comício de 6 de janeiro no Ellipse, em Washington. O evento ocorreu após publicação de mensagem de Trump convocando apoiadores ao local no mesmo dia da certificação da eleição presidencial. Mais de 2.000 pessoas invadiram o Capitólio dos Estados Unidos após a concentração.
A empresa recebeu cerca de 688 mil dólares pelos serviços do comício no Ellipse, incluindo montagem de palco e infraestrutura. O comitê da Câmara dos Representantes sobre 6 de janeiro registrou mensagem de 29 de dezembro de 2020 em que Caporale descreve o evento como “um chamado à ação para marchar até o Capitólio e fazer barulho”.
Após 6 de janeiro, a Event Strategies manteve contratos com estruturas ligadas a Trump. Após a vitória eleitoral de 2024, Trump atribuiu a Caporale a organização de eventos de campanha, incluindo aparições públicas de alto alcance. O envolvimento inclui também episódios ligados a gravações em locais federais como o Cemitério Nacional de Arlington.
Desde janeiro do segundo mandato de Trump, a Event Strategies recebeu cerca de 40 milhões de dólares em contratos federais, segundo o banco de dados USA Spending. Um contrato de 15 milhões de dólares foi concedido pelo Departamento de Estado em junho para planejamento de eventos.
Parte dos contratos foi concedida sem concorrência formal, com justificativa de necessidade urgente ou exclusividade técnica. A America250, organização criada por lei do Congresso para coordenar o 250º aniversário, passou a operar com assessores ligados a Trump, incluindo Chris LaCivita, Monica Crowley e Justin Caporale.
Em reação a disputas internas, assessores de Trump criaram a Freedom 250 como estrutura paralela para execução de eventos comemorativos. A entidade recebeu pelo menos 14 milhões de dólares em recursos federais para ações como os “Caminhões da Liberdade”, que percorrem o país com conteúdos históricos produzidos por PragerU e Hillsdale College.
A Public Citizen e o Revolving Door Project relatam que mais de 100 milhões de dólares em subsídios e contratos federais foram direcionados a entidades ligadas a aliados de Trump em eventos do 250º aniversário. A Freedom 250 também utiliza a Campaign Nucleus, empresa de Brad Parscale, ex-gerente de campanha de Trump.
A lista de doadores inclui empresas como United Airlines, Palantir, Northrop Grumman, RTX e Mosaic, todas com contratos ou interesses em agências federais estadunidenses. Registros indicam também atuação de lobby simultâneo junto ao governo federal enquanto realizam doações para a entidade.
Eventos ligados à Freedom 250 incluíram uma luta do UFC nos jardins da Casa Branca durante celebrações do aniversário de Trump, com participação de patrocinadores e acesso a espaços federais. A ação gerou disputa judicial movida pelo Public Integrity Project, posteriormente rejeitada por um juiz.
No mês anterior, artistas como Young MC, Martina McBride e integrantes do Milli Vanilli retiraram participação da Great American State Fair após questionamentos sobre alinhamento político do evento. A programação foi convertida em comício com discurso de Trump. A cantora Alexis Wilkins participou da abertura cantando o hino nacional sem remuneração, segundo declaração pública.
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2 de julho de 2026



































