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MODO DE NAVEGAÇÃO

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que considera encerrado o acordo provisório de cessar-fogo firmado com o Irã após uma nova rodada de ataques entre os dois países. As declarações foram feitas antes da cúpula da OTAN, na Turquia, enquanto Washington e Teerã trocaram acusações sobre violações do entendimento assinado em junho. A escalada militar voltou a gerar impacto no mercado internacional de petróleo e aumentou a incerteza sobre a continuidade das negociações diplomáticas.


Donald Trump
Donald Trump

Trump declarou que não pretende prosseguir pessoalmente com as negociações e classificou como "perda de tempo" qualquer tentativa de retomar o diálogo nas atuais circunstâncias. Segundo o presidente estadunidense, os negociadores poderão continuar as conversas caso considerem necessário, mas ele afirmou não acreditar em resultados concretos. "Acho que acabou. Não quero mais lidar com eles, são escória são liderados por pessoas doentes e são pessoas cruéis e violentas", disse.


O presidente também afirmou que Washington havia alcançado um entendimento com Teerã, mas acusou o governo iraniano de negar publicamente a existência do acordo. "Nós fizemos um acordo. Eles saíram, falaram com a imprensa e disseram: 'Nunca nem sequer conversamos sobre isso'. Tem algo de errado com eles. Estão malucos. Para mim, acabou", declarou.


As declarações ocorreram após a mais intensa troca de ataques entre Estados Unidos e Irã desde a assinatura do memorando de entendimento de 17 de junho, documento que previa a suspensão das operações militares e medidas destinadas a garantir a navegação comercial no Estreito de Ormuz.


O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou na terça-feira que realizou ataques classificados como "poderosos" em resposta aos ataques contra três petroleiros que navegavam pelo Estreito de Ormuz. No dia seguinte, o governo iraniano anunciou ter atacado instalações militares estadunidenses localizadas no Bahrein e no Kuwait, afirmando que a ação constituiu uma resposta às operações conduzidas por Washington.


Paralelamente à escalada militar, o governo dos Estados Unidos revogou a suspensão temporária das sanções relacionadas às exportações de petróleo iraniano. Após as declarações de Trump, os preços internacionais do petróleo registraram alta, embora permanecessem abaixo dos níveis observados durante o período de fechamento total do Estreito de Ormuz.


Trump fez as declarações durante uma reunião com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte. Na ocasião, Rutte afirmou que os ataques realizados pelos Estados Unidos foram "absolutamente necessários" e sustentou que o Irã estaria violando o cessar-fogo previsto no memorando firmado entre as partes.


Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou Washington de descumprir o memorando de entendimento. Segundo ele, os Estados Unidos violaram compromissos relacionados às operações militares no sul do Irã e aos entendimentos sobre a navegação no Estreito de Ormuz. "A era da intimidação e da extorsão acabou. Não leva a lugar nenhum. Não vamos ceder", afirmou.


O memorando assinado em 17 de junho estabelecia, entre seus 14 pontos, o "cessar imediato e permanente das operações militares em todas as frentes". O documento também previa que o Irã faria "todos os esforços para garantir a passagem segura de embarcações comerciais sem custos por 60 dias", enquanto ambas as partes continuariam negociando um acordo permanente.


Apesar do entendimento, episódios militares ocorreram nos dias seguintes. Em 26 de junho, os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã após um projétil iraniano atingir um navio cargueiro no Estreito de Ormuz. Em 27 de junho, novas operações militares estadunidenses foram realizadas depois de um ataque contra um petroleiro. Ao final daquele mês, Washington e Teerã anunciaram um novo recuo nas hostilidades e mantiveram abertas as negociações diplomáticas.


As conversas, contudo, foram interrompidas durante as cerimônias fúnebres de Ali Khamenei, morto no primeiro dia dos ataques conjuntos conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã, segundo o texto-base. Nesta quarta-feira, cerimônias foram realizadas no Iraque, enquanto os ritos finais e o sepultamento estavam previstos para quinta-feira em Mashhad, no nordeste iraniano.


Questionado sobre a possibilidade de retomada das negociações após os novos ataques, Trump respondeu que não demonstrava interesse em prosseguir. "Não me importo. Francamente, não quero perder meu tempo com eles. Deixarei nossos excelentes negociadores continuarem conversando se quiserem, mas não vejo isso acontecendo", afirmou.


O presidente também declarou: "Na minha opinião, lidar com eles é uma perda de tempo. São mentirosos". Em seguida, citou o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner como integrantes da equipe que poderiam dar continuidade às negociações, caso considerassem essa alternativa. "Falarei com nossos negociadores; se eles quiserem negociar, são pessoas competentes - Steve Witkoff, Jared Kushner -, mas terão que me dar um retorno. Para mim, é apenas uma perda de tempo", disse.

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