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2 octobre 2026

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Ex-diretor da ONU que protestou contra a fome em Gaza contesta sua demissão

Benjamin Davis, ex-diretor da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), apresentou recurso contra sua demissão, alegando que a medida esteve relacionada à sua atuação pública sobre a fome em Gaza. Segundo documentos analisados pela Reuters, o contrato de Davis, de 62 anos, deveria terminar em 30 de setembro por decisão do diretor-geral da FAO, Qu Dongyu. A justificativa apresentada mencionou violações das normas internacionais que exigem imparcialidade dos funcionários, acusação rejeitada por Davis.

Davis afirmou à Reuters que trabalhou durante 26 anos na FAO com contratos renováveis e considerou sua demissão uma “terrível injustiça”. Ele disse ter sido punido sem o devido processo por se manifestar sobre o direito à alimentação, que considera parte central do mandato da organização. O ex-funcionário participou de momentos de silêncio em homenagem às vítimas da fome em Gaza e, em maio de 2025, produziu um relatório sobre a disponibilidade de alimentos no enclave palestino. A FAO não havia respondido ao pedido de comentário apresentado pela Reuters.

O caso ganhou repercussão depois que Qu Dongyu defendeu publicamente a demissão de um funcionário não identificado durante uma conferência da FAO e afirmou: “Não permitiremos que vocês joguem esse jogo de direitos humanos aqui”.

Funcionários da organização realizaram uma manifestação de apoio a Davis na sede da FAO, em Roma, na quarta-feira. O processo está sob análise do sistema interno de Justiça da FAO e poderá posteriormente chegar a um tribunal da ONU, que possui competência para tratar de disputas trabalhistas e conceder indenizações.

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