Albaneses protestam contra megaprojeto turístico ligado ao genro de Trump
- www.jornalclandestino.org

- 17 de jun.
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Milhares de pessoas participaram de manifestações em Tirana e em outras cidades da Albânia na segunda-feira contra um empreendimento turístico associado a Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O projeto prevê a construção de complexos de luxo em áreas costeiras próximas a zonas protegidas do país. A mobilização ganhou dimensão nacional e passou a ser identificada por participantes e meios de comunicação locais como a “revolução dos flamingos”.

Os protestos se intensificaram ao longo das últimas semanas diante do avanço de um plano imobiliário avaliado em mais de 1,4 bilhão de euros, equivalente a cerca de 1,6 bilhão de dólares. Manifestantes denunciam a transformação de áreas naturais em ativos voltados ao turismo de alto padrão e questionam a transferência de territórios de interesse público para empreendimentos privados ligados ao capital internacional.
O centro da controvérsia é um projeto vinculado à Affinity Partners, empresa de investimentos controlada por Jared Kushner. A iniciativa concentra-se em dois pontos do litoral albanês: a ilha de Sazan e a península de Zvernec, regiões que abrigam ecossistemas costeiros e áreas de preservação ambiental.
Na ilha de Sazan, o plano prevê a instalação de um resort operado pela rede Aman. A proposta inclui estruturas voltadas ao turismo de luxo em uma área que, durante décadas, permaneceu associada a instalações militares e a ambientes naturais pouco alterados pela ocupação urbana.
Na península de Zvernec, o projeto contempla a construção de hotéis e centenas de vilas destinadas ao mercado imobiliário de alto padrão. Organizações ambientais, moradores e ativistas afirmam que a iniciativa ameaça o equilíbrio ecológico da região e pode alterar de forma permanente áreas costeiras utilizadas por espécies locais e migratórias.
As mobilizações registradas desde o início de junho refletem a ampliação da oposição ao empreendimento. Em Tirana, manifestantes levaram cartazes e faixas denunciando a privatização de áreas naturais e contestando a influência de grupos financeiros estrangeiros sobre decisões relacionadas ao uso do território albanês.
A denominação “revolução dos flamingos” surgiu em referência às preocupações com os impactos ambientais sobre ecossistemas costeiros e zonas úmidas da região. O termo foi adotado por participantes dos protestos e passou a circular nas redes sociais como símbolo da resistência ao projeto.
O caso também reacendeu debates sobre o papel de investidores ligados à elite política estadunidense em projetos imobiliários no exterior. Para setores da sociedade albanesa, o empreendimento representa mais um episódio de conversão de territórios de valor ambiental em espaços voltados à acumulação privada, processo associado à expansão de capitais internacionais sobre áreas estratégicas de países periféricos.
As manifestações da segunda-feira ocorreram enquanto continuam os preparativos para o desenvolvimento do complexo turístico nos enclaves costeiros de Sazan e Zvernec, onde o projeto prevê resorts, hotéis e centenas de residências de luxo vinculadas ao investimento superior a 1,4 bilhão de euros administrado pela Affinity Partners.












































