Antártica perde área de gelo marinho equivalente ao tamanho da França
- www.jornalclandestino.org

- 17 de jun.
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Uma área de aproximadamente 650 mil quilômetros quadrados de gelo marinho desapareceu do Mar de Bellingshausen, na costa oeste da Antártica, durante o inverno do hemisfério sul. Dados de satélite mostram que uma região que normalmente permanece congelada nesta época do ano apresenta cobertura de gelo muito abaixo da média registrada entre 1991 e 2020. Pesquisadores alertam que a redução pode afetar ecossistemas marinhos antárticos e acelerar processos ligados à perda de gelo continental.

Observações realizadas por sistemas de monitoramento remoto indicam que o Mar de Bellingshausen, localizado entre a Península Antártica e o mar de Amundsen, registra uma das maiores reduções de gelo marinho dos últimos anos. A área perdida equivale ao território da França e ocorre em um período em que a formação de gelo costuma avançar devido às baixas temperaturas do inverno antártico.
O fenômeno reforça a preocupação de centros de pesquisa que acompanham as transformações nas regiões polares. O desaparecimento da cobertura de gelo marinho modifica condições ambientais que sustentam cadeias alimentares inteiras e altera processos ligados à dinâmica oceânica e climática da Antártica.
O pesquisador Will Hobbs, especialista em gelo marinho da Universidade da Tasmânia, afirmou que os dados registrados em junho chamam atenção pela dimensão da perda observada. Segundo ele, a ausência de gelo em uma região que normalmente estaria congelada nesta época do ano representa uma situação que exige acompanhamento permanente.
Hobbs observou ainda que esta é a terceira ocorrência, em apenas quatro anos, de níveis reduzidos de gelo marinho no Mar de Bellingshausen. O pesquisador declarou que existe a possibilidade de a região não retornar aos padrões de cobertura registrados durante décadas anteriores.
As causas exatas do fenômeno continuam sob investigação. Pesquisadores avaliam alterações nas condições oceânicas da região e buscam determinar em que medida mudanças climáticas globais podem estar relacionadas ao desaparecimento da cobertura de gelo observada neste setor da Antártica.
Entre as preocupações apresentadas pela comunidade científica está a situação do krill antártico, pequeno crustáceo que ocupa posição central na cadeia alimentar do continente. Durante o inverno, o krill utiliza a parte inferior das placas de gelo marinho como abrigo e fonte de alimento, consumindo algas que crescem sob a superfície congelada.
A redução do gelo pode afetar a disponibilidade desses ambientes, interferindo diretamente na sobrevivência do krill. Alterações em sua população tendem a repercutir sobre espécies que dependem dele como fonte alimentar, incluindo peixes, focas, pinguins e baleias.
Outra preocupação envolve as geleiras Pine Island e Thwaites, localizadas a oeste do Mar de Bellingshausen. Essas massas de gelo figuram entre as principais áreas de perda de gelo continental da Antártica e são acompanhadas por pesquisadores devido ao potencial impacto sobre o nível global dos oceanos.
O meteorologista Phil Reid, do Departamento de Meteorologia da Austrália, explicou que a ausência prolongada de gelo marinho pode reduzir a proteção oferecida às plataformas de gelo flutuantes posicionadas diante dessas geleiras. Essas plataformas atuam como barreiras que ajudam a conter o avanço do gelo continental em direção ao oceano.
Sem essa proteção, as plataformas podem sofrer processos de fragmentação em ritmo maior. A perda dessas estruturas favorece o deslocamento de gelo continental para o mar, contribuindo para a elevação do nível dos oceanos.
Dados divulgados para 10 de junho mostram que a extensão total de gelo marinho ao redor da Antártica alcançava 11,4 milhões de quilômetros quadrados. Para a mesma data, a média histórica é de 12,6 milhões de quilômetros quadrados, diferença de 1,2 milhão de quilômetros quadrados em relação aos registros considerados normais para o período.












































