Bill Gates afirma que Epstein queria um relacionamento pessoal, mas "nunca retribuiu"
- www.jornalclandestino.org

- 11 de jun.
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O bilionário Bill Gates afirmou em 10 de junho, diante do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, que encerrou sua relação com Jeffrey Epstein após concluir que o financista não entregaria os recursos prometidos para projetos filantrópicos. O depoimento ocorreu em sessão fechada em Washington e integrou uma investigação parlamentar sobre a rede de relações construída por Epstein com figuras do poder econômico e político estadunidense. Gates também declarou que Epstein utilizou informações sobre suas infidelidades conjugais para pressioná-lo a restabelecer contato.

O fundador da Microsoft compareceu voluntariamente perante o comitê bipartidário, que já ouviu diversas personalidades ligadas ao caso Epstein. Durante sua declaração inicial, Gates procurou afastar suspeitas de envolvimento em atividades criminosas e negou ter testemunhado qualquer crime praticado por Epstein durante os anos em que manteve contato com ele.
“Eu nunca fui à ilha dele, ao rancho dele ou à casa dele na Flórida. Nunca vitimizei ninguém”, afirmou Gates. “Embora ele possa ter tentado cultivar um relacionamento pessoal, eu nunca estive interessado nisso e nunca retribuí.”
Gates também declarou esperar que “os sobreviventes dos crimes de Epstein possam obter a justiça que merecem”.
O depoimento ocorre anos após a morte de Jeffrey Epstein em uma prisão estadunidense em 2019, quando aguardava julgamento por acusações relacionadas ao tráfico sexual. Sua associada Ghislaine Maxwell cumpre pena de 20 anos de prisão. Em fevereiro deste ano, Maxwell participou virtualmente de uma audiência do mesmo comitê, mas utilizou seu direito constitucional de não responder às perguntas formuladas pelos parlamentares.
A investigação ganhou novo impulso após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgar, em janeiro de 2026, milhões de páginas de documentos relacionados ao caso. Entre os registros aparecem milhares de menções a Gates, além de fotografias que mostram encontros entre os dois homens ao longo da década passada.
Em sua fala ao Congresso, Gates repetiu declarações concedidas anteriormente à imprensa, afirmando que lamenta ter mantido contato com Epstein. Segundo ele, os encontros ocorreram em um contexto relacionado à busca por financiamento para iniciativas de saúde global vinculadas à sua fundação.
Uma das imagens divulgadas pelo Departamento de Justiça mostra Gates próximo a uma aeronave associada a Epstein. O empresário confirmou ter realizado viagens em jatos particulares ligados ao financista.
Os documentos tornados públicos também incluem rascunhos de mensagens atribuídas a Epstein contendo acusações sobre a vida privada de Gates. Entre elas estão alegações de que Epstein teria facilitado encontros extraconjugais, intermediado contatos com mulheres russas, fornecido drogas e auxiliado em situações relacionadas a uma infecção sexualmente transmissível. Gates negou todas essas acusações.
Outro documento atribuído a Epstein sustenta que Gates teria tentado fornecer antibióticos à então esposa, Melinda Gates, sem seu conhecimento. O empresário rejeitou essa alegação, mas reconheceu ter mantido relacionamentos extraconjugais com duas mulheres russas.
“Epstein estava tentando usar informações sobre minhas infidelidades - além de muitas mentiras que ele acrescentou - para me pressionar a retomar o relacionamento com ele”, declarou.
Segundo Gates, a relação entre ambos começou em 2011, três anos após a condenação de Epstein na Flórida por acusações relacionadas à solicitação de prostituição. O empresário afirmou que as reuniões tinham como foco discussões sobre possíveis doações para programas de saúde internacional mantidos por sua fundação.
De acordo com seu depoimento, desde o início ficou estabelecido que Epstein não teria qualquer função dentro da fundação nem receberia remuneração vinculada a seus projetos.
O deputado democrata Robert Garcia afirmou aos jornalistas que o depoimento demonstrou que Gates tinha conhecimento do histórico criminal de Epstein e, mesmo assim, continuou mantendo contato com ele na tentativa de obter apoio financeiro para atividades filantrópicas.
Durante a audiência, Gates relatou que rompeu definitivamente a relação em 2014. Segundo ele, Epstein reuniu um grupo de pessoas apresentadas como potenciais doadores para a fundação, mas nenhuma delas demonstrou interesse em financiar os projetos discutidos.
“Percebi que nossas discussões anteriores - que deveriam ter se traduzido em um apoio filantrópico significativo - eram um beco sem saída”, afirmou. “Naquele momento, concluí que Epstein jamais cumpriria suas promessas. Disse-lhe que não iríamos mais longe e parei de me comunicar ou me encontrar com ele.”
Parlamentares democratas informaram que Gates forneceu à comissão os nomes de pessoas reunidas por Epstein durante as tentativas de arrecadação de recursos. Os nomes não foram divulgados publicamente.
O deputado republicano Tim Burchett afirmou que o depoimento foi marcado por questionamentos detalhados e avaliou que Epstein construía relações com figuras influentes para ampliar sua presença em círculos de poder.
“Para mim, está bem claro que Epstein era um colecionador de amigos. Ele gostava de ter por perto pessoas importantes, tirar fotos com elas e passar tempo com elas, e acho que era assim que ele as conquistava”, declarou Burchett.
O parlamentar também afirmou que Gates demonstrou desconforto durante a audiência.
Outros integrantes da comissão disseram que Gates respondeu perguntas sobre os documentos atribuídos a Epstein e insistiu que jamais foi apresentado a meninas, mulheres ou menores de idade por intermédio do financista.
A deputada democrata Emily Randall afirmou que parte das respostas fornecidas por Gates levanta questionamentos sobre o comportamento de homens influentes que mantiveram relações com Epstein ao longo dos anos.
“Algumas de suas respostas mostram que muitos dos homens que interagiram com Jeffrey Epstein só viram o que queriam ver nessas interações”, declarou Randall.
Em fevereiro de 2026, Gates já havia informado funcionários de sua fundação que tinha conhecimento de restrições que haviam limitado as viagens de Epstein durante um período de aproximadamente 18 meses. Segundo ele, não realizou verificações suficientes sobre o histórico do financista antes de iniciar os encontros.
Os parlamentares também questionaram a alegação de desconhecimento apresentada por Gates, observando que informações sobre a condenação e o passado de Epstein já circulavam publicamente durante os anos em que ambos mantiveram contato.











































