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Para cada dólar investido na natureza, US$ 30 financiam sua destruição

O volume de recursos direcionados a atividades que degradam ecossistemas continua superior aos investimentos destinados à conservação ambiental e ao enfrentamento das mudanças climáticas. Dados divulgados em 9 de junho pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) indicam que, para cada dólar aplicado na proteção da natureza, outros 30 dólares financiam atividades que contribuem para sua degradação. O levantamento estima que US$ 7,3 trilhões em fluxos financeiros públicos e privados tenham impacto negativo direto sobre os ecossistemas.


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O cenário expõe uma contradição entre os compromissos internacionais assumidos por governos e instituições multilaterais e a destinação efetiva de recursos econômicos. Enquanto conferências internacionais discutem mecanismos de financiamento climático, subsídios e investimentos continuam sustentando setores associados à emissão de gases de efeito estufa, ao desmatamento e à exploração intensiva de recursos naturais.


O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, tem alertado para o agravamento da crise climática. Segundo ele, as mudanças climáticas estão levando o planeta a uma situação de risco crescente. Apesar disso, os fluxos financeiros seguem concentrados em atividades que ampliam a pressão sobre os sistemas naturais.


No Brasil, o desequilíbrio também aparece na distribuição de incentivos econômicos. Dados do Instituto de Estudos Socioeconômicos mostram que, em 2024, os incentivos destinados à indústria de combustíveis fósseis alcançaram R$ 47,06 bilhões para os setores de petróleo, gás e carvão. No mesmo período, fontes renováveis receberam R$ 18,65 bilhões.


Os números divulgados pelo PNUMA indicam que os recursos empregados em atividades com impacto ambiental negativo representam aproximadamente 7% do Produto Interno Bruto global. O montante supera diversas metas internacionais de financiamento debatidas nos últimos anos.


As negociações relacionadas à COP30 discutem a mobilização de US$ 1,3 trilhão anuais para ações climáticas. Na área da biodiversidade, os compromissos firmados durante a COP15 estabeleceram a meta de US$ 200 bilhões por ano. Já os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável demandam aproximadamente US$ 4 trilhões anuais, segundo os compromissos debatidos no âmbito do Compromisso de Sevilha. Somadas, essas três metas totalizam US$ 5,5 trilhões por ano, valor inferior aos US$ 7,3 trilhões direcionados a atividades que impactam negativamente a natureza.


Outro dado citado no debate internacional refere-se aos gastos militares. De acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), as despesas militares globais atingiram US$ 2,718 trilhões em 2024, o maior nível registrado pela instituição desde o início de suas medições.


Na Mata Atlântica, o bioma mais desmatado do Brasil, os indicadores mostram avanços e retrocessos simultâneos. Estudo publicado em 2025 pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Centro de Ciência para o Desenvolvimento revelou que 4,9 milhões de hectares passaram por processos de regeneração entre 1993 e 2022.


Desse total, 3,8 milhões de hectares permaneceram preservados após a regeneração, representando 78% da área recuperada. Outros 1,1 milhão de hectares voltaram a ser desmatados, correspondendo a 22% do total. A área regenerada equivale a mais do que a superfície do estado do Rio de Janeiro e corresponde a cerca de 16% da cobertura florestal atual do bioma.


Os efeitos da degradação ambiental também aparecem nos registros de eventos climáticos extremos. Levantamento da Brazilian Ocean Literacy Alliance aponta que o número de desastres relacionados às mudanças climáticas aumentou 460% no Brasil desde 1990. Entre os eventos contabilizados estão enchentes, secas e outros fenômenos associados às alterações do clima.


Os dados apresentados por organismos internacionais, instituições de pesquisa e organizações ambientais indicam que os compromissos assumidos para proteção da natureza convivem com fluxos financeiros direcionados a atividades que contribuem para a perda de biodiversidade, o avanço das emissões e a transformação de ecossistemas.

 
 

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