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Operação “Southern Spear” soma 150 mortos e amplia ofensiva letal dos Estados Unidos no Caribe sob pretexto antidrogas

Forças militares estadunidenses mataram três homens em 23 de fevereiro de 2026 ao destruir uma embarcação no Caribe sob a justificativa de combate ao narcotráfico. A ação foi confirmada pelo Comando Sul dos Estados Unidos em comunicado divulgado na segunda-feira (23). Com o novo ataque, chega a 44 o número de embarcações destruídas pela operação “Southern Spear” desde setembro de 2025. Segundo dados compilados por veículos regionais, as ações já deixaram ao menos 150 mortos em cinco meses. Organizações de direitos humanos e a Organização das Nações Unidas denunciam que os bombardeios violam o direito internacional e configuram execuções extrajudiciais.


Trump I arquivo
Trump I arquivo

O Comando Sul declarou que “informações de inteligência confirmaram que a embarcação estava navegando por rotas conhecidas de tráfico de drogas no Caribe e estava envolvida em operações de narcotráfico. Três narcoterroristas foram mortos nessa ação”. O comunicado não apresentou provas independentes, identidades das vítimas nem indícios verificáveis de que os ocupantes da embarcação estivessem armados ou envolvidos em atividades ilícitas no momento do ataque.


A ofensiva integra a operação “Southern Spear”, lançada por Washington em setembro de 2025 e conduzida por forças militares e de inteligência estadunidenses em águas do Caribe, América Central e América do Sul. Desde então, a estratégia se baseia em ataques diretos contra embarcações civis sob suspeita de transporte de drogas, sem julgamento, sem captura e sem coordenação transparente com autoridades judiciais dos países da região.


Na semana anterior, militares estadunidenses haviam anunciado a destruição simultânea de três embarcações no Pacífico e no Caribe, com 11 mortos — o maior ataque desde o início da operação. A escalada indica um padrão de uso crescente de força letal fora de cenários formalmente reconhecidos de guerra, ampliando a presença militar estadunidense em rotas marítimas estratégicas do hemisfério sul.


Apesar de críticas de entidades como a Amnistia Internacional e de parlamentares do próprio Congresso estadunidense, a administração do presidente Donald Trump sustenta que as ações são legais por estarem inseridas em um suposto “confronto armado” contra cartéis latino-americanos classificados como organizações terroristas. A formulação jurídica, no entanto, não encontra respaldo no direito internacional para autorizar execuções extrajudiciais em águas internacionais ou territoriais de terceiros países.


Em outubro de 2025, a Organização das Nações Unidas denunciou formalmente o governo estadunidense por “violar o direito internacional” com ataques aéreos contra embarcações no Caribe e no Pacífico. Relatórios internos da entidade alertam para o risco de normalização de operações militares unilaterais sob o rótulo de “guerra às drogas”, um conceito historicamente utilizado para justificar intervenções armadas na América Latina.


O padrão de atuação expõe uma política externa baseada na militarização de temas sociais e econômicos, deslocando para o campo bélico um problema que envolve redes transnacionais de comércio, consumo e financiamento. Ao transformar suspeitas em sentenças de morte sem julgamento, Washington consolida uma prática de poder que ignora soberanias regionais e reforça sua presença militar sobre rotas estratégicas do Caribe e da América Latina.

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