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Trump minimiza derrubada de helicóptero dos EUA pelo Irã

A derrubada de um helicóptero militar estadunidense sobre território iraniano elevou as tensões entre Teerã e Washington em meio às negociações para encerrar os confrontos iniciados em 28 de fevereiro. O incidente ocorreu quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmava que um acordo poderia ser alcançado em poucos dias. O episódio também coincidiu com a retomada dos ataques entre Irã e Israel após a ruptura de um cessar-fogo anunciado em abril.


Helicóptero Apache modelo AH-64 ©US Army
Helicóptero Apache modelo AH-64 ©US Army

Em entrevista publicada pelo Wall Street Journal na terça-feira, 9 de junho, Trump minimizou a derrubada da aeronave militar. Segundo o presidente estadunidense, “não foi nada demais”.


“O piloto está bem”, declarou Trump. O presidente acrescentou que os detalhes do episódio eram “bem diferentes do que vocês imaginam”, sem fornecer informações adicionais. De acordo com as informações divulgadas, os integrantes da tripulação receberam atendimento médico e apresentavam quadro estável.


Horas antes, Trump havia adotado um tom distinto em mensagem publicada na plataforma Truth Social. Na publicação, afirmou que os Estados Unidos deveriam responder ao episódio ocorrido sobre o Estreito de Ormuz.


“Ontem à noite, os iranianos derrubaram um dos nossos helicópteros Apache altamente sofisticados, enquanto fazia patrulha sobre o Estreito de Ormuz”, escreveu.


O incidente ocorreu enquanto Washington e Teerã trocavam mensagens relacionadas às negociações para encerrar os confrontos iniciados após os ataques israelenses e estadunidenses contra o Irã em 28 de fevereiro.


Do lado iraniano, a resposta veio por meio do presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, apontado como negociador-chefe do processo diplomático.


“Preferimos a linguagem da diplomacia, mas falamos outros idiomas com muito mais desenvoltura. Rompam seus compromissos e passaremos ao que dominamos melhor”, declarou Ghalibaf em publicação na rede X.


A declaração foi divulgada enquanto autoridades dos dois lados discutiam os termos de um possível entendimento político. Na própria terça-feira, Trump afirmou que a diplomacia estadunidense havia entrado na “fase final” das negociações e declarou que um acordo poderia ser concluído em “dois ou três dias”.


Os contatos diplomáticos acontecem após mais de 100 dias de confrontos militares. Em 8 de abril entrou em vigor um cessar-fogo que reduziu temporariamente os ataques entre Irã e Israel.


Apesar da trégua, novos ataques ocorreram no domingo e na segunda-feira. Segundo balanço divulgado pela televisão estatal iraniana, os bombardeios deixaram três mortos e quinze feridos em território iraniano. Entre os mortos estavam dois militares.


A retomada dos ataques ocorreu em um contexto de pressão política interna sobre o governo estadunidense. Com a aproximação das eleições legislativas de meio de mandato, Trump busca encerrar uma crise militar que passou a gerar desgaste político dentro dos Estados Unidos.


Durante os últimos dias, o presidente estadunidense pediu que Irã e Israel interrompessem as operações militares “de imediato”. O governo iraniano anunciou o encerramento de sua operação na segunda-feira. Pouco depois, Israel declarou ter suspendido suas ações.


A perspectiva de um acordo também repercutiu nos mercados internacionais. Antes da nova escalada militar, os preços do petróleo registraram queda impulsionada pelas expectativas de redução das tensões na região.


Nas semanas anteriores, as cotações haviam sido pressionadas pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, corredor marítimo utilizado para o transporte de petróleo e derivados entre o Golfo Pérsico e mercados internacionais.


Segundo um comandante militar israelense citado no texto original, o Irã lançou cerca de 30 mísseis contra Israel em menos de 24 horas. Os disparos ocorreram após um ataque israelense realizado no domingo contra os subúrbios ao sul de Beirute, área onde atua o Hezbollah.


O bombardeio israelense deixou dois mortos e vinte feridos, segundo as informações divulgadas. Após a resposta militar iraniana, Teerã anunciou o encerramento da operação, mas indicou que novas ações poderiam ocorrer caso os ataques continuassem.


Autoridades iranianas declararam que “em caso de continuação da agressão e das hostilidades, inclusive no sul do Líbano, seriam empreendidas ações muito mais severas e repressivas do que antes”.


As divergências também permanecem no plano diplomático. Teerã exige que qualquer acordo inclua a interrupção dos ataques no Líbano. Washington defende que a situação libanesa seja tratada em negociações separadas.


Enquanto as negociações prosseguem, os ataques israelenses continuaram no sul do Líbano. Na terça-feira, a cidade de Tiro voltou a ser alvo de bombardeios.


Pela primeira vez desde 2 de março, os avisos de evacuação emitidos por Israel abrangeram toda a cidade, incluindo o bairro cristão que vinha recebendo moradores deslocados de outras localidades da região.


“O bairro cristão agora está 99% vazio”, declarou à AFP Walid al Tawil, integrante do conselho municipal de Tiro.


Segundo informações do Ministério da Saúde libanês citadas no texto original, outro ataque realizado contra a cidade deixou pelo menos oito mortos e trinta e dois feridos.


O Hezbollah anunciou novos ataques contra forças israelenses posicionadas no sul do Líbano. O exército israelense informou que não houve baixas.


No norte de Israel, um homem acusado de abrir fogo contra soldados após atravessar a fronteira procedente do Líbano foi morto pelas forças israelenses, segundo informações divulgadas pelo próprio exército.


Na frente diplomática, o Paquistão manteve contatos voltados à negociação de um acordo regional. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif afirmou que um entendimento estava “prestes a ser concluído” antes da retomada dos ataques entre Irã e Israel.


Também na terça-feira, o comandante do exército paquistanês, Asim Munir, reuniu-se em Islamabad com o comandante das Forças Armadas do Líbano, Rodolphe Haykal, para discutir a situação de segurança regional.

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