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28 de setembro de 2026 às 11:10:10

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Desenrola 3.0: Governo Lula vai comprar dívidas para aliviar o bolso de famílias endividadas

O governo Lula lançou nesta sexta-feira, 25 de setembro, a terceira fase do Desenrola Brasil, que poderá alcançar até 15 milhões de pessoas. A União comprará dívidas com descontos de ao menos 90%. O abatimento será repassado integralmente aos devedores.


A medida provisória que cria o Desenrola 3.0 foi assinada por Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo e muda a forma de negociação adotada nas etapas anteriores. Em vez de cada devedor procurar individualmente uma instituição financeira, o governo passará a comprar carteiras de dívidas em leilões, buscando descontos junto aos credores.


Presidente Lula
Presidente Lula

“É importante notar isso, porque no outro Desenrola as pessoas tinham que individualmente procurar um banco. Agora é o governo que vai comprar a dívida, sabe? E vai acertar a vida das pessoas”, afirmou Lula durante o anúncio.

O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que a nova modalidade coloca o poder de compra do Estado nas negociações com os credores para reduzir e reestruturar as dívidas das famílias. O programa foi anunciado no mesmo contexto das medidas adotadas pelo governo contra as apostas online.


“Nada mais justo e correto do que colocar o poder de compra do Estado a serviço da redução, da reestruturação das dívidas dessas famílias, dessas pessoas, em particular daquelas, repito, que sofrem com o vício em jogos”, declarou Moretti.

Quais dívidas entram no programa

O Desenrola 3.0 poderá incluir dívidas bancárias e não bancárias cujo valor original seja de até R$ 10 mil. Os débitos deverão ter entre 720 e 1.645 dias de atraso, considerando como referência a data de 25 de setembro de 2026. A medida alcança modalidades como cartão de crédito e crédito pessoal e poderá incluir contas atrasadas de água, energia elétrica, telefonia e dívidas contraídas no comércio.


O Ministério da Fazenda poderá estabelecer critérios adicionais relacionados à renda dos beneficiários e à ordem de prioridade para atendimento. A pasta será responsável pela coordenação do programa.


A aquisição das carteiras ocorrerá por meio de leilões. As propostas serão classificadas de acordo com o maior desconto oferecido pelos credores. As instituições participantes deverão apresentar todos os créditos elegíveis de cada devedor, sem escolher apenas determinadas dívidas para colocar à venda. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil poderão participar da operação.


O desconto obtido pelo governo será transferido integralmente ao devedor. Depois da aquisição, a pessoa poderá quitar o saldo de uma vez ou optar pelo parcelamento. Nos casos de parcelamento, haverá cobrança de juros, conforme condições que ainda serão estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.


O cronograma definido pelo governo prevê a publicação do chamamento dos credores em novembro de 2026. As instituições deverão apresentar suas propostas em dezembro. A homologação das propostas selecionadas está prevista para janeiro de 2027.


Em fevereiro de 2027, deverão ser assinados os contratos e começar o repasse dos descontos aos devedores, que poderão escolher entre o pagamento à vista e o parcelamento do saldo.



25 milhões já passaram pelos programas anteriores

O Desenrola 3.0 dá continuidade às duas primeiras fases do programa, que, de acordo com o governo federal, alcançaram 25 milhões de pessoas e renegociaram R$ 75 bilhões em dívidas.


Os dados apresentados pelo Tesouro Nacional mostram a dimensão do endividamento. Em agosto de 2026, as dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito, com até cinco anos de atraso, somavam R$ 592 bilhões.


O levantamento apontava 83,9 milhões de pessoas negativadas. As mulheres representavam 56% desse total, enquanto a média registrada era de quatro dívidas por pessoa.


Durante a apresentação do programa, Bruno Moretti afirmou que o comprometimento da renda das famílias com dívidas aumentou em 2021 e 2022. Segundo o ministro, o Desenrola ajudou a reduzir esse peso a partir de 2023, mas a manutenção dos juros em níveis elevados continuou pressionando o orçamento das famílias.


Moretti também relacionou o endividamento à expansão das apostas online. Para famílias afetadas pelo vício em jogos, o governo considera necessário combinar as medidas contra as bets com a reestruturação dos débitos.


“Isso vai garantir um aumento da renda disponível das famílias. Isso vai garantir que elas se reestruturem financeiramente”, afirmou o ministro.

A medida provisória também determina que órgãos reguladores adotem medidas para reduzir excessos na concessão de crédito. Entre as instituições envolvidas está o Banco Central, que deverá atuar para evitar práticas que levem novamente as famílias beneficiadas pelo programa a uma situação de endividamento.

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