Desenrola 3.0: Governo Lula vai comprar d ívidas para aliviar o bolso de famílias endividadas
O governo Lula lançou nesta sexta-feira, 25 de setembro, a terceira fase do Desenrola Brasil, que poderá alcançar até 15 milhões de pessoas. A União comprará dívidas com descontos de ao menos 90%. O abatimento será repassado integralmente aos devedores.
A medida provisória que cria o Desenrola 3.0 foi assinada por Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo e muda a forma de negociação adotada nas etapas anteriores. Em vez de cada devedor procurar individualmente uma instituição financeira, o governo passará a comprar carteiras de dívidas em leilões, buscando descontos junto aos credores.

“É importante notar isso, porque no outro Desenrola as pessoas tinham que individualmente procurar um banco. Agora é o governo que vai comprar a dívida, sabe? E vai acertar a vida das pessoas”, afirmou Lula durante o anúncio.
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que a nova modalidade coloca o poder de compra do Estado nas negociações com os credores para reduzir e reestruturar as dívidas das famílias. O programa foi anunciado no mesmo contexto das medidas adotadas pelo governo contra as apostas online.
“Nada mais justo e correto do que colocar o poder de compra do Estado a serviço da redução, da reestruturação das dívidas dessas famílias, dessas pessoas, em particular daquelas, repito, que sofrem com o vício em jogos”, declarou Moretti.
Quais dívidas entram no programa
O Desenrola 3.0 poderá incluir dívidas bancárias e não bancárias cujo valor original seja de até R$ 10 mil. Os débitos deverão ter entre 720 e 1.645 dias de atraso, considerando como referência a data de 25 de setembro de 2026. A medida alcança modalidades como cartão de crédito e crédito pessoal e poderá incluir contas atrasadas de água, energia elétrica, telefonia e dívidas contraídas no comércio.
O Ministério da Fazenda poderá estabelecer critérios adicionais relacionados à renda dos beneficiários e à ordem de prioridade para atendimento. A pasta será responsável pela coordenação do programa.
A aquisição das carteiras ocorrerá por meio de leilões. As propostas serão classificadas de acordo com o maior desconto oferecido pelos credores. As instituições participantes deverão apresentar todos os créditos elegíveis de cada devedor, sem escolher apenas determinadas dívidas para colocar à venda. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil poderão participar da operação.
O desconto obtido pelo governo será transferido integralmente ao devedor. Depois da aquisição, a pessoa poderá quitar o saldo de uma vez ou optar pelo parcelamento. Nos casos de parcelamento, haverá cobrança de juros, conforme condições que ainda serão estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.
O cronograma definido pelo governo prevê a publicação do chamamento dos credores em novembro de 2026. As instituições deverão apresentar suas propostas em dezembro. A homologação das propostas selecionadas está prevista para janeiro de 2027.
Em fevereiro de 2027, deverão ser assinados os contratos e começar o repasse dos descontos aos devedores, que poderão escolher entre o pagamento à vista e o parcelamento do saldo.

25 milhões já passaram pelos programas anteriores
O Desenrola 3.0 dá continuidade às duas primeiras fases do programa, que, de acordo com o governo federal, alcançaram 25 milhões de pessoas e renegociaram R$ 75 bilhões em dívidas.
Os dados apresentados pelo Tesouro Nacional mostram a dimensão do endividamento. Em agosto de 2026, as dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito, com até cinco anos de atraso, somavam R$ 592 bilhões.
O levantamento apontava 83,9 milhões de pessoas negativadas. As mulheres representavam 56% desse total, enquanto a média registrada era de quatro dívidas por pessoa.
Durante a apresentação do programa, Bruno Moretti afirmou que o comprometimento da renda das famílias com dívidas aumentou em 2021 e 2022. Segundo o ministro, o Desenrola ajudou a reduzir esse peso a partir de 2023, mas a manutenção dos juros em níveis elevados continuou pressionando o orçamento das famílias.
Moretti também relacionou o endividamento à expansão das apostas online. Para famílias afetadas pelo vício em jogos, o governo considera necessário combinar as medidas contra as bets com a reestruturação dos débitos.
“Isso vai garantir um aumento da renda disponível das famílias. Isso vai garantir que elas se reestruturem financeiramente”, afirmou o ministro.
A medida provisória também determina que órgãos reguladores adotem medidas para reduzir excessos na concessão de crédito. Entre as instituições envolvidas está o Banco Central, que deverá atuar para evitar práticas que levem novamente as famílias beneficiadas pelo programa a uma situação de endividamento.
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