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18 de setembro de 2026 às 11:47:13

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Lula acusa Flávio Bolsonaro de ligação com milícias e questiona crise no STF

O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou nesta sexta-feira (18) o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário na disputa presidencial, de possuir ligação com milicianos no Rio de Janeiro. Em entrevista à Rádio Tupi, durante agenda de campanha no estado, Lula também responsabilizou a gestão de Jair Bolsonaro pela transformação do Banco Máxima em Banco Master e voltou a relacionar o caso à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). O candidato afirmou ainda que, caso seja reeleito, pretende discutir uma reforma do Judiciário e como “consertar” a Suprema Corte.


Presidente Lula ©Ricardo Stuckert
Presidente Lula ©Ricardo Stuckert

Durante a entrevista, Lula declarou que Flávio Bolsonaro e integrantes da família Bolsonaro mantiveram relações com pessoas apontadas em investigações como integrantes de milícias do Rio de Janeiro.


“Tem um candidato a presidente ligado a miliciano no Rio de Janeiro, muita gente da família Bolsonaro ligado com miliciano. É preciso limpar a política e a polícia. A sociedade brasileira tem que assumir a responsabilidade pelo futuro que quer. Acho inconcebível o RJ viver a realidade que vive”, afirmou.

As declarações retomam episódios ocorridos durante o período em que Flávio Bolsonaro exerceu mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Entre os fatos citados em reportagens e investigações está a contratação, em seu gabinete, de familiares de Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-policial militar apontado pelas autoridades como integrante e chefe do grupo conhecido como Escritório do Crime. Adriano foi homenageado na Alerj por iniciativa de Flávio Bolsonaro antes de ser investigado por sua atuação em milícias.


A relação entre o gabinete de Flávio Bolsonaro e familiares de Adriano da Nóbrega já havia sido objeto de investigações e reportagens antes da atual disputa eleitoral. Em 2019, o Ministério Público do Rio de Janeiro apontou que parentes do ex-policial haviam sido empregados no gabinete parlamentar e investigou a circulação de parte dos salários entre pessoas ligadas ao grupo. Adriano da Nóbrega morreu em fevereiro de 2020, durante uma operação policial na Bahia.


Lula também utilizou a entrevista para atacar Flávio Bolsonaro a partir das investigações envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. O presidente afirmou que a instituição ganhou estrutura bancária durante o governo Jair Bolsonaro e destacou que Vorcaro foi preso durante seu próprio governo.


“O telefone do Vorcaro, o quanto ele está nessa relação, maior escândalo de corrupção do país. O Master não era banco, a família Bolsonaro que fez virar banco. E o Vorcaro virou prisioneiro no meu governo”, declarou.


A trajetória empresarial do Banco Master passa pelo antigo Banco Máxima. Daniel Vorcaro assumiu o controle da instituição após autorização regulatória em 2019 e, em 2021, depois de mudanças societárias, aquisição do Banco Vipal e aporte de capital, o Banco Máxima passou a operar com o nome Banco Master. A transformação ocorreu durante o governo Jair Bolsonaro, que presidiu o país entre janeiro de 2019 e dezembro de 2022.


O caso Master passou a envolver investigações sobre possíveis fraudes financeiras, relações empresariais e contatos entre Vorcaro e integrantes de diferentes setores do poder público. Em depoimento prestado à Polícia Federal em 28 de agosto de 2026, Vorcaro negou ter oferecido vantagens ilícitas a servidores do Banco Central e afirmou que suas relações com integrantes da instituição estavam relacionadas a processos de supervisão e operações do banco.


Na entrevista à Rádio Tupi, Lula também relatou um encontro que teve com Vorcaro no Palácio do Planalto. Segundo o presidente, o empresário havia procurado o governo para reclamar de dificuldades enfrentadas pelo banco.


“Esse Vorcaro me procurou um dia, disse: ‘Olha estão me prejudicando’. E eu falei: ‘Se seu banco for correto, não vai fechar... E fechou porque não estava correto’”, relatou.


Lula voltou a atribuir ao governo Bolsonaro a ascensão de Vorcaro no setor bancário e disse que sua própria administração foi responsável pela prisão do empresário. A formulação também apareceu em outras declarações do presidente nesta semana, em meio à disputa eleitoral e às repercussões políticas do caso Master.


A entrevista avançou para a crise institucional envolvendo o STF, que ganhou novas dimensões a partir das informações relacionadas ao Banco Master e aos contatos de Vorcaro com integrantes do Judiciário. Lula afirmou que acompanha o episódio com “tristeza” e defendeu mudanças no funcionamento do Poder Judiciário.


“Você vê um cidadão [Vorcaro], zé ninguém, o governo Bolsonaro fez virar banqueiro, envolveu bancos, outras pessoas. Ele virou prisioneiro no meu governo. Ele [Vorcaro] corrompeu todo mundo, patrocinava orgia, trazia mulher para os bacanas brasileiros, envolveu deputado, senador, Suprema Corte, todo mundo”, afirmou Lula.


As acusações sobre relações entre Vorcaro, autoridades e integrantes do STF estão no centro das investigações e de uma disputa política que envolve diferentes ministros da Corte. O ministro André Mendonça chegou a conduzir o caso no Supremo, enquanto outros ministros também passaram a ter acesso a elementos da investigação, incluindo mensagens e informações extraídas do celular de Vorcaro.


Lula afirmou que, caso permaneça no Palácio do Planalto após a eleição, será necessário discutir mudanças no Judiciário e questionou diretamente o funcionamento da Suprema Corte.


“Me preocupa e vamos ter que discutir como consertar isso. Como consertar a Suprema Corte? Ministros ligados indireta e diretamente. A bronca [do Flávio] com Moraes não é pelo Master, mas pela prisão do pai”, disse.


O presidente também defendeu a atuação do ministro Alexandre de Moraes em processos relacionados à tentativa de ruptura institucional e afirmou que o magistrado teve participação na preservação da ordem democrática. Ao mesmo tempo, declarou que não considera aceitável o contrato milionário atribuído ao escritório ligado à mulher de Moraes com o Banco Master.


“Moraes teve papel importante na manutenção da democracia, general preso, e presidente preso por golpe, articulavam minha morte, a do Alckmin. Ninguém defende o contrato que ele [Moraes] fez com o Master, estamos defendendo que quem vai para Suprema Corte não pode querer ser rico”, afirmou Lula.


A crise no STF ocorre durante a campanha presidencial de 2026 e envolve disputas entre ministros, questionamentos sobre relações privadas e empresariais, pedidos de investigação e diferentes interpretações sobre a condução do caso Master. A imprensa também registrou críticas de Flávio Bolsonaro a ministros da Corte, especialmente Alexandre de Moraes, enquanto Lula passou a defender simultaneamente a atuação de Moraes em processos ligados à tentativa de golpe e a apuração das relações financeiras envolvendo o Banco Master.


Ao encerrar sua avaliação sobre o Supremo, Lula afirmou que a Corte precisa preservar padrões de seriedade e ética e declarou que a situação interna do tribunal parecia estar “apodrecendo”.

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