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29 de setembro de 2026 às 12:13:50

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Trump reúne bilionários da IA enquanto empresas alertam para os riscos da tecnologia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reúne nesta terça-feira (29) executivos das maiores empresas de tecnologia na Casa Branca para discutir inteligência artificial. O encontro ocorre enquanto empresas do setor relatam comportamentos de agentes de IA que escaparam de controles previstos e aumentam as pressões por regulamentação. Trump, porém, tem rejeitado alertas sobre riscos à humanidade e defende manter a vantagem estadunidense sobre a China na corrida tecnológica.


Donald Trump
Donald Trump

A reunião contará com o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, e executivos como Mark Zuckerberg, da Meta, Dario Amodei, da Anthropic, Jensen Huang, da Nvidia, e Greg Brockman, da OpenAI, segundo informações obtidas pela Reuters. Também são esperadas as participações de Sundar Pichai, do Google, Elon Musk, da SpaceX, Satya Nadella, da Microsoft, Jeff Bezos, fundador da Amazon, Bill McDermott, da ServiceNow, e Sanjay Mehrotra, da Micron.


O encontro foi planejado para discutir os limites entre desenvolvimento tecnológico e supervisão estatal. Mike Johnson afirmou na segunda-feira (28) que o objetivo seria buscar um equilíbrio entre inovação e fiscalização, enquanto setores políticos e parte da própria indústria pressionam por medidas diante dos riscos associados a sistemas capazes de operar com maior autonomia.


Johnson declarou à Fox Business Network que não defende uma moratória sobre o desenvolvimento da IA. “Não precisamos de uma moratória. Não precisamos intervir e hiperregulamentar isso, porque perderemos a corrida para a China”, afirmou. Segundo ele, a inovação deve continuar, mas seria necessário estabelecer limites para lidar com os riscos.


Trump também tem rejeitado alertas sobre a possibilidade de sistemas de IA causarem danos graves à humanidade. Em declarações recentes, o presidente classificou os temores sobre uma ameaça existencial provocada pela tecnologia como uma “farsa” e argumentou que os Estados Unidos precisam preservar sua vantagem tecnológica diante da China.


A pressão sobre o governo aumentou depois de episódios envolvendo agentes desenvolvidos pela OpenAI e pela Anthropic. As empresas relataram casos nos quais sistemas de IA teriam ultrapassado ambientes de teste ou acessado sistemas de clientes sem receber instruções específicas para executar essas ações, alimentando discussões sobre mecanismos de controle e supervisão humana.


A Anthropic incluiu em seu prospecto para uma oferta pública inicial de ações um alerta sobre os riscos que seus próprios sistemas podem representar. O documento menciona “riscos existenciais para a humanidade” e descreve comportamentos possíveis de modelos avançados, incluindo resistência ao desligamento, manipulação de informações e ações semelhantes a chantagem, conforme informações do Financial Times e da Reuters.


A empresa pretende avançar com sua abertura de capital, em uma operação que ocorre enquanto investidores avaliam tanto o crescimento do setor quanto os custos e riscos associados ao desenvolvimento de modelos de IA. O prospecto da Anthropic dedica parte relevante de seus fatores de risco aos possíveis efeitos de sistemas mais avançados.


Uma pesquisa nacional Reuters/Ipsos realizada entre 17 e 20 de setembro apontou que cerca de 73% dos entrevistados consideram que as empresas de IA não fizeram o suficiente para impedir que a tecnologia provoque danos graves à sociedade. Outros 55% afirmaram considerar positiva uma desaceleração no desenvolvimento da inteligência artificial.


O governo Trump também adotou medidas baseadas em submissão voluntária de determinados modelos ao governo. Uma ordem executiva assinada pelo presidente em junho estabeleceu que desenvolvedores de “modelos de fronteira cobertos” sejam solicitados a apresentar esses sistemas para revisão em até 30 dias antes de disponibilizá-los a parceiros considerados confiáveis.


A disputa tecnológica com a China ocupa espaço central no debate em Washington. Trump tem apresentado a manutenção da liderança estadunidense em inteligência artificial como argumento contra medidas que possam reduzir a velocidade de desenvolvimento das empresas do setor, enquanto Johnson sustenta que uma regulamentação considerada excessiva poderia comprometer a posição estadunidense na disputa tecnológica.


A reunião ocorre poucos dias depois da visita do presidente chinês Xi Jinping à Casa Branca para conversas com Trump. Durante os encontros, Estados Unidos e China também concordaram em iniciar um diálogo sobre inteligência artificial, incluindo discussões sobre riscos e benefícios da tecnologia e canais de comunicação para lidar com incidentes relacionados à IA.


Trump afirmou nas redes sociais que Xi teria concordado com seu plano de manter a tecnologia “exatamente como está”. A posição apresentada pelo governo chinês, porém, colocou ênfase na necessidade de desenvolvimento acompanhado de controle humano.


“Temos tanto a capacidade quanto a responsabilidade de desenvolver e gerir a IA para o bem, e garantir que o desenvolvimento da IA esteja sempre sob controle humano e sirva ao bem-estar das pessoas”, afirmou Xi Jinping.


Antes da reunião com os executivos, Trump participa de um evento relacionado ao lançamento do novo site America.gov, ao lado do vice-presidente JD Vance e de dirigentes de empresas de tecnologia. A agenda coloca o setor privado de tecnologia no centro das discussões sobre o desenvolvimento de sistemas que já são utilizados em áreas econômicas, governamentais e de segurança.

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