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50 ataques: Trump intensifica campanha de explodir embarcações no Caribe

A administração do presidente estadunidense Donald Trump atingiu, em abril de 2026, a marca de 50 ataques contra embarcações civis na América Latina. A campanha militar, conduzida no Caribe e no Pacífico, já deixou mais de 170 mortos, segundo dados divulgados pelo The Intercept em 14 de abril de 2026. Em um intervalo de três dias, forças estadunidenses realizaram três novos ataques letais contra barcos. As operações integram a chamada “Operação Lança do Sul”, que tem como alvo supostos grupos criminosos. Especialistas em direito classificam as ações como execuções extrajudiciais e denunciam ausência de base legal.


Donald Trump
Donald Trump

Em 11 de abril, forças estadunidenses atacaram duas embarcações no Oceano Pacífico. No primeiro ataque, duas pessoas morreram e uma terceira foi lançada ao mar, sendo posteriormente considerada morta após o abandono das buscas. No segundo ataque do mesmo dia, três pessoas foram mortas. Dois dias depois, em 13 de abril, outro bombardeio no Pacífico Oriental resultou em mais duas mortes, ampliando a contagem de vítimas civis.


Segundo o Comando Sul dos Estados Unidos, as ações fazem parte de uma campanha voltada contra pelo menos 24 cartéis e organizações criminosas transnacionais. No entanto, o governo estadunidense não divulga os nomes dos grupos supostamente atingidos nem apresenta provas públicas que justifiquem a identificação das vítimas como combatentes. Até o momento, a operação já destruiu ao menos 51 embarcações e matou 171 civis.


A ofensiva também se expandiu para ações terrestres. Em março, o governo estadunidense anunciou o apoio à chamada “Operação Extermínio Total”, conduzida ao longo da fronteira entre Colômbia e Equador. Joseph Humire, secretário assistente interino de Guerra para defesa interna e assuntos de segurança das Américas, declarou que a iniciativa marca “o início de uma ofensiva militar do Equador contra organizações criminosas transnacionais com o apoio dos EUA”.


Especialistas em direito internacional contestam frontalmente a legalidade dessas operações. Brian Finucane, ex-advogado do Departamento de Estado, afirmou ao The Intercept após o 50º ataque: “Existe o risco de que esses assassinatos sem lei se tornem apenas ruído de fundo”. Ele acrescentou que o Congresso estadunidense “continua sendo a instituição mais bem posicionada para acabar com isso” e defendeu responsabilização futura de envolvidos em “assassinatos ilegais”.


De acordo com Finucane e outros juristas citados pelo The Intercept, os ataques violam princípios básicos do direito internacional, que proíbem o uso letal da força contra civis que não representem ameaça iminente. A prática marca uma ruptura com a política anterior da chamada “guerra às drogas”, na qual suspeitos eram capturados e julgados, em vez de executados sem processo judicial.


Relatos operacionais indicam que sobreviventes raramente são resgatados. Após um ataque ocorrido em 11 de abril, o Comando Sul notificou a Guarda Costeira sobre “uma pessoa em perigo no Oceano Pacífico”, segundo o porta-voz Kenneth Wiese. A Guarda Costeira iniciou buscas e mobilizou embarcações na região. Um navio cargueiro francês, MV Marius, e o navio de pesquisa estadunidense RV Sikuliaq participaram das buscas, mas não encontraram sobreviventes. Em 14 de abril, às 10h43 no horário do Pacífico, as operações foram oficialmente suspensas sem localizar qualquer vestígio.


Casos anteriores revelam padrões ainda mais graves. Em 2 de setembro de 2025, dois sobreviventes permaneceram agarrados a destroços por cerca de 45 minutos após um ataque. O almirante Frank Bradley, então chefe do Comando Conjunto de Operações Especiais, consultou sua assessoria jurídica e ordenou um novo ataque, que matou os náufragos. O episódio foi inicialmente reportado pelo The Intercept.


Em outro caso, após um ataque em 30 de dezembro de 2025, aeronaves da Guarda Costeira demoraram quase dois dias para iniciar buscas no local, segundo investigações do Airwars e do The Intercept. Onze civis morreram, incluindo oito que se lançaram ao mar para escapar do bombardeio.


Uma das raras exceções ocorreu em 19 de março de 2026, quando um sobrevivente foi resgatado após um ataque que matou dois civis. As vítimas foram identificadas pela imprensa costarriquenha como os equatorianos Pedro Ramón Holguín, de 40 anos, e Carlos Manuel Rodríguez Solórzano, de 34. O sobrevivente, José David Torres Hurtado, de 21 anos, cidadão colombiano, permanece hospitalizado em estado crítico na unidade de queimados do Hospital San Juan de Dios, segundo autoridades da Costa Rica.


O The Intercept também informou, em 14 de abril de 2026, que o governo estadunidense intensificou pressões sobre a Comissão Interamericana de Direitos Humanos para evitar a abertura de uma investigação sobre a campanha de ataques. Após reunião recente do órgão, o Departamento de Estado teria solicitado que a comissão direcionasse sua atuação para outras agendas, evitando apurar possíveis execuções extrajudiciais conduzidas pelos Estados Unidos na região.

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