Alcolumbre nega ter recebido US$ 30 milhões de Daniel Vorcaro
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- 17 de jun.
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), negou nesta terça-feira (16) ter recebido US$ 30 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e classificou como falsa a acusação divulgada pela revista Veja. A denúncia afirma que Vorcaro teria relatado às autoridades a transferência do valor para uma conta no exterior supostamente vinculada ao parlamentar durante negociações para um acordo de colaboração. A declaração provocou reação no plenário do Senado e levou senadores de diferentes partidos a saírem em defesa do chefe do Poder Legislativo.

Em pronunciamento realizado no plenário do Senado Federal, Alcolumbre respondeu à reportagem publicada pela revista Veja em 11 de junho, segundo a qual Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teria informado às autoridades responsáveis por negociações de colaboração premiada que transferiu US$ 30 milhões para uma conta no exterior destinada ao senador amapaense. De acordo com a publicação, a operação teria ocorrido como contrapartida a uma suposta atuação do parlamentar em favor de interesses ligados ao grupo financeiro.
Vorcaro está preso em Brasília e tenta firmar um acordo de colaboração com as autoridades. Conforme informado pela reportagem, duas propostas apresentadas pelo ex-banqueiro já foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Diante das acusações, Alcolumbre rejeitou qualquer envolvimento com os valores mencionados e afirmou que jamais recebeu recursos de Vorcaro em território nacional ou no exterior.
“Eu repudio, com toda a firmeza, e com toda a indignação o conteúdo desta matéria. Jamais recebi aqueles valores ou outros quaisquer, no Brasil ou no exterior, por qualquer motivo que seja”, declarou.
O presidente do Senado também questionou a divulgação da acusação sem apresentação de provas ou documentos que sustentem a alegação.
“São alegações falsas, com a única e aparente intenção de arrastar o meu nome para lama. É espantoso e revoltante que uma acusação dessa gravidade seja publicada sem qualquer prova, sem qualquer evidência, contra um chefe de Poder”, afirmou.
Alcolumbre sustentou que pretende demonstrar a falsidade da narrativa caso as declarações tenham realmente partido de Vorcaro durante as tratativas para colaboração. Ao mesmo tempo, levantou a hipótese de que as afirmações sequer constem dos documentos oficiais relacionados ao procedimento.
“Se esse fato sequer constar de um acordo de colaboração, se não tiver sido dito pelo colaborador, por sua defesa ou pela autoridade responsável pela condução desse procedimento, então estaremos diante de uma situação muito mais grave. Porque não estaremos diante apenas de uma acusação falsa contra o presidente do Senado Federal. Estaremos diante da invenção de um fato inexistente e da tentativa de atribuir esse fato a um procedimento oficial para lhe conferir aparência de verdade”, declarou.
O senador também questionou os interesses por trás da divulgação da denúncia.
“A quem interessa caluniar o presidente do Congresso Nacional? Quem se beneficia de tentar usar a imprensa para intimidar o chefe do Poder Legislativo?”, perguntou.
Após o pronunciamento, parlamentares de diferentes correntes políticas ocuparam a tribuna para manifestar apoio ao presidente do Senado. As manifestações reuniram integrantes da base governista, da oposição e de partidos situados em diferentes posições do espectro político.
Entre os primeiros a se pronunciar esteve o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado e aliado político de Alcolumbre. Também discursaram o líder do governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e o senador Esperidião Amin (PP-SC).
Randolfe afirmou que acusações contra agentes públicos exigem elementos concretos antes de serem divulgadas.
“A indignação que vossa excelência expressa aqui é uma indignação que eu acho que deve ser assinalada por todo o Congresso Nacional [...] Qualquer acusação, seja de quem for ela tem que ter um lastro probatório mínimo, sobretudo quando essa acusação vai contra uma figura pública e sobretudo ao presidente do Congresso Nacional”, declarou.
Rodrigo Pacheco concentrou sua fala na hipótese levantada por Alcolumbre de que a acusação não tenha sido apresentada formalmente por Vorcaro, por sua defesa ou pelas autoridades responsáveis pelo caso. O senador afirmou que, se esse cenário for confirmado, haveria uma tentativa de constranger institucionalmente o Senado Federal.
“Se nós estamos eventualmente diante de um fato [...] que não tenha sido alegada pelo colaborador por seu advogado, que não tenha sido alegada pelas autoridades responsáveis pelo processo de investigação, seja policial, seja o Ministério Público, que não existe num mundo jurídico e nem num mundo real, é um fato inventado e levado a uma imprensa de grande circulação para que o Brasil todo ouça esse fato inverídico, esse fato criado, aí, de fato, essa segunda hipótese nós estamos diante de um fato muito grave. Aí constitui uma ofensa, uma coação, um constrangimento, a busca de uma criminalização de um chefe do poder, de um presidente do Senado, que por algum motivo está sendo coagido a partir de um expediente mafioso, de gangsterismo, de alguém que inventa um fato e que constrange uma instituição inteira, constrange a figura de um senador”, afirmou.
Esperidião Amin direcionou suas críticas ao processo de negociação de acordos de colaboração premiada e questionou a origem das acusações divulgadas pela imprensa. O parlamentar relacionou o episódio às tensões existentes entre setores do Congresso Nacional e instituições responsáveis por investigações criminais.
“Não saiu de uma CPI. Saiu do que? Quem é que negocia uma delação? É a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, sob os auspícios do Judiciário. São aqueles compartimentos de onde vêm as maiores críticas ao desempenho do Congresso Brasileiro numa CPI. Foi de lá que brotou esta também, que não foi a primeira afirmação contra um parlamentar. Ou seja, não sai dessa delação nada a respeito de juiz. Não sai nada a respeito de empresário, o alvo é o Congresso”, declarou.












































