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Alimentos contaminados matam 1,5 milhão por ano, alerta OMS

Alimentos contaminados provocam a morte de 1,5 milhão de pessoas por ano e causam doenças em até 866 milhões de indivíduos em todo o mundo, segundo relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 4 de junho. Os dados mostram que crianças com menos de cinco anos enfrentam risco três vezes maior de adoecimento em comparação com outras faixas etárias. O estudo também aponta que substâncias químicas presentes na cadeia alimentar respondem por 73% das mortes associadas à contaminação de alimentos.


Foto: Pinterest
Foto: Pinterest

A OMS apresentou os números às vésperas do Dia Mundial da Segurança Alimentar, celebrado em 7 de junho, e classificou a contaminação alimentar como um problema de saúde pública com impactos sobre mortalidade, desenvolvimento infantil, renda e sistemas nacionais de saúde.


Segundo a organização, os 866 milhões de casos anuais de doenças relacionadas ao consumo de alimentos inseguros representam uma carga sanitária distribuída de forma desigual entre regiões do planeta. África e Sudeste Asiático concentram quase 75% dos casos registrados e 60% das mortes associadas à contaminação alimentar.


O relatório indica que as crianças abaixo de cinco anos estão entre os grupos mais afetados. Além de episódios de doenças diarreicas agudas, que podem resultar em morte nessa faixa etária, a exposição prolongada a contaminantes químicos produz efeitos permanentes sobre o desenvolvimento físico e cognitivo.

A OMS afirma que a presença de chumbo e metilmercúrio nos alimentos pode comprometer o desenvolvimento cerebral infantil. O documento aponta que essas substâncias estão associadas a danos neurológicos e dificuldades de aprendizagem que permanecem ao longo da vida.


Embora bactérias, vírus e outros agentes biológicos sejam responsáveis pela maior parte das infecções alimentares registradas, o levantamento demonstra que as substâncias químicas provocam a maioria das mortes. De acordo com a organização, 73% dos óbitos relacionados à contaminação alimentar estão ligados à exposição química.


Entre essas substâncias, o arsênio inorgânico responde por 42% das mortes causadas por contaminantes químicos. A OMS relaciona a exposição prolongada ao elemento ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer e doenças cardiovasculares.


O chumbo responde por outros 31% dos óbitos associados a contaminantes químicos. Segundo o relatório, o metal pode entrar na cadeia alimentar tanto por processos naturais quanto por atividades industriais e formas de poluição ambiental. A organização relaciona sua presença nos alimentos ao aumento do risco de doenças cardiovasculares em adultos.


O estudo destaca que metais pesados incorporados ao sistema alimentar tornam-se difíceis de remover após a contaminação de solos, fontes de água, cultivos agrícolas e cadeias de produção. Diante desse cenário, a OMS defende medidas de fiscalização industrial, controle ambiental e monitoramento sanitário por parte dos governos.

A autora principal do estudo publicado na revista científica The Lancet Global Health, Yuki Minato, integrante da equipe técnica da OMS, identificou dois fatores que ampliam os riscos relacionados à segurança alimentar.


O primeiro é a mudança climática. Segundo a pesquisadora, alterações nos padrões de temperatura, precipitação e umidade favorecem a contaminação biológica de cultivos agrícolas e ampliam a presença de toxinas nos alimentos.


O segundo fator apontado pela OMS é a resistência antimicrobiana. O fenômeno reduz a eficácia dos medicamentos utilizados para tratar infecções e aumenta a dificuldade de resposta dos sistemas de saúde diante de doenças transmitidas por alimentos.


Yuki Minato afirmou que infecções alimentares comuns estão se tornando “muito mais difíceis ou até impossíveis de tratar com os medicamentos atuais”.


A pesquisadora defendeu a adoção de uma estratégia integrada baseada no conceito de Saúde Única, que articula saúde humana, saúde animal, agricultura e meio ambiente dentro de uma mesma estrutura de prevenção e controle.


Segundo Minato, os países precisam romper barreiras administrativas entre órgãos de saúde, agricultura e gestão ambiental para enfrentar os riscos associados à contaminação alimentar. A pesquisadora advertiu que “o atraso custa vidas”.


A OMS anunciou ainda o desenvolvimento de uma plataforma digital destinada a reunir informações nacionais sobre riscos alimentares. A ferramenta permitirá que governos tenham acesso a dados específicos sobre contaminação, vigilância sanitária e incidência de doenças relacionadas aos alimentos.


De acordo com a organização, a plataforma deverá auxiliar na identificação de riscos locais e na definição de investimentos em saneamento, sistemas de pasteurização, monitoramento laboratorial e inspeção sanitária.


A iniciativa foi apresentada pela OMS como um instrumento voltado à utilização de dados epidemiológicos para orientar políticas públicas relacionadas à segurança alimentar em diferentes países.

 
 

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