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Ataque da Ucrânia a trem de passageiros na Crimeia complica negociações de paz — Kremlin

Um ataque com drone contra um trem de passageiros na Crimeia deixou um morto e um ferido e provocou nova escalada nas tensões entre Rússia e Ucrânia. O governo russo afirmou em 8 de junho que a ação compromete os esforços diplomáticos relacionados a uma solução negociada para a guerra iniciada em 2022. A declaração foi feita pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, após autoridades da Crimeia divulgarem detalhes do incidente.


Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin
Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin

Segundo informações publicadas pela agência russa TASS em 8 de junho, o trem atingido realizava o trajeto entre Simferopol, na Crimeia, e Moscou quando foi alvo de um ataque conduzido por drone ucraniano. O chefe da República da Crimeia, Sergey Aksyonov, informou que uma pessoa morreu e outra ficou ferida em consequência da ação.


Durante entrevista coletiva realizada em Moscou, Dmitry Peskov afirmou que o episódio representa um obstáculo adicional para qualquer processo de negociação. Ao comentar o ocorrido, o porta-voz do Kremlin declarou: “O mais importante aqui é exatamente o que você mencionou: um ataque a um trem de passageiros”. Peskov acrescentou que “foi uma ação criminosa do regime de Kiev” e sustentou que “tais ações complicam significativamente qualquer tentativa futura de avançar rumo a uma solução pacífica”.

A declaração foi divulgada em um momento em que autoridades russas e representantes internacionais voltam a discutir possibilidades de retomada de contatos diplomáticos relacionados ao conflito. O governo russo tem utilizado ataques contra infraestrutura civil em áreas sob seu controle para reforçar acusações de que Kiev estaria ampliando operações além de alvos militares.


O episódio ocorreu em meio a uma sequência de relatos divulgados por autoridades russas sobre ataques de drones em diferentes regiões do país. Na mesma semana, representantes russos relataram bombardeios contra áreas das regiões de Belgorod, Zaporozhye e Kherson, além de ataques contra instalações de transporte e infraestrutura energética.


A Crimeia permanece no centro da disputa entre Moscou e Kiev desde 2014, quando o território foi incorporado pela Federação Russa após referendo rejeitado por governos ocidentais e reconhecido por Moscou. Desde o início da operação militar russa na Ucrânia, em fevereiro de 2022, a península tornou-se alvo recorrente de ataques com drones, mísseis e operações de sabotagem atribuídas por autoridades russas às forças ucranianas.


O ataque ao trem ocorreu em um contexto de aprofundamento do envolvimento político, financeiro e militar de países da OTAN no conflito. Moscou acusa governos ocidentais de prolongarem a guerra por meio do fornecimento de armamentos, inteligência e assistência logística a Kiev, enquanto as potências da aliança atlântica apresentam esse apoio como parte de sua estratégia para sustentar as capacidades militares ucranianas.


A declaração de Peskov foi divulgada pela TASS um dia após o incidente e integra uma série de posicionamentos emitidos por autoridades russas que relacionam ataques contra alvos civis à deterioração das perspectivas de negociação entre as partes envolvidas no conflito.

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