top of page
2_00000.avif

Bióloga Fernanda Abra recebe prêmio da National Geographic por reduzir atropelamentos de fauna na Amazônia

A bióloga da conservação Fernanda Abra foi anunciada em 9 de junho como uma das vencedoras do Wayfinder Award, prêmio concedido pela National Geographic Society a pesquisadores e lideranças que desenvolvem soluções para desafios ambientais. O reconhecimento foi atribuído ao trabalho realizado para reduzir os impactos das rodovias sobre a fauna silvestre, com foco na Amazônia. Além do título de Exploradora da National Geographic, a pesquisadora receberá US$ 50 mil e passará a integrar a rede internacional de pesquisadores e financiadores da instituição.


Bióloga Fernanda Abra
Bióloga Fernanda Abra

Fernanda Abra é cofundadora do Instituto Reconecta e da ViaFAUNA e desenvolve pesquisas voltadas aos impactos da infraestrutura de transporte sobre a biodiversidade. O principal eixo de sua atuação consiste na implantação de pontes de dossel, estruturas suspensas instaladas sobre rodovias para conectar copas de árvores separadas por estradas e permitir a travessia de animais arborícolas sem deslocamento pelo solo.


O prêmio teve como base os resultados do Projeto Reconecta, iniciativa criada para enfrentar a fragmentação florestal causada pela expansão da malha rodoviária. Desde 2021, o projeto instala pontes de dossel em áreas consideradas estratégicas da Amazônia. Dados divulgados pela iniciativa apontam o registro de mais de 20 mil travessias seguras de animais desde o início da implantação das estruturas, resultado utilizado para demonstrar a redução do risco de atropelamentos e a recuperação da conectividade entre fragmentos de floresta separados por estradas.


Um dos principais projetos ocorreu na BR-174, rodovia federal que atravessa a Terra Indígena Waimiri-Atroari entre os estados do Amazonas e de Roraima. No trecho foram instaladas 32 pontes de dossel por meio de uma parceria entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e a comunidade indígena Waimiri-Atroari.


A participação da comunidade indígena incluiu a definição dos pontos de instalação das estruturas e o acompanhamento do monitoramento da fauna. A experiência passou a ser utilizada como referência para avaliar formas de reduzir os impactos provocados pela abertura e operação de rodovias em áreas de floresta amazônica, onde a expansão da infraestrutura de transporte tem contribuído para a fragmentação de habitats e para o aumento da mortalidade de animais silvestres.


Os resultados obtidos em campo produziram repercussões além das áreas diretamente atendidas pelo projeto. Em 2026, o modelo de ponte desenvolvido pelo Projeto Reconecta foi incorporado às recomendações oficiais do DNIT para implantação em rodovias federais. A decisão ocorreu após estudos conduzidos para aperfeiçoar as estruturas e adaptá-las às necessidades de diferentes espécies de mamíferos arborícolas.


No município de Alta Floresta, no norte de Mato Grosso, sete pontes monitoradas registraram quase 15 mil travessias durante um período de 15 meses. Entre os animais identificados pelos sistemas de monitoramento está o zogue-zogue-de-Alta-Floresta (Plecturocebus grovesi), espécie de primata descrita cientificamente em 2019.


O primata depende do deslocamento pelas copas das árvores para acessar áreas de alimentação, reprodução e abrigo. A fragmentação da floresta associada à expansão urbana e à abertura de vias de transporte reduziu a continuidade do habitat da espécie. Atualmente, o zogue-zogue-de-Alta-Floresta está classificado como criticamente ameaçado de extinção.


Os registros produzidos pelo monitoramento das pontes reforçaram o debate sobre os impactos da infraestrutura rodoviária na biodiversidade brasileira. A mortalidade de animais por atropelamento permanece associada à expansão de estradas em diferentes biomas do país, enquanto medidas de conectividade ecológica passaram a integrar discussões relacionadas ao licenciamento ambiental e ao planejamento de sistemas de transporte.


O reconhecimento concedido pela National Geographic Society ocorre em um período de ampliação das atividades do Projeto Reconecta. A organização prevê a instalação de novas pontes de dossel em Alta Floresta e no município de Lucas do Rio Verde, ambos em Mato Grosso, além da expansão das ações para outras regiões do território brasileiro.

apoie a ampliação do nosso trabalho

Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.

Frequência

1 vez

Mensal

Anual

Valor

R$ 10

R$ 20

R$ 30

R$ 40

R$ 50

R$ 100

R$ 200

Outro

editora
clandestino

Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

MAIS VENDIDOS

bottom of page