Como nasce um “terrorista”? — Uma reflexão de César Kaab
- César Kaab
- 22 de ago. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 24 de nov. de 2024

Ah, isso seria um banquete delicioso para os ignóbeis e espúrios de plantão, não é mesmo? Pois bem, a fome é terror, a desigualdade é terror, o preconceito é terror, o racismo é terror, o descaso é terror, o abandono é terror — escreveria uma coletânea inteira apenas para elencar isso! A resposta, portanto, é simples: ao contrário dos rótulos que nos são impostos enquanto muçulmanos, os verdadeiros ‘terroristas’ se encontram espalhados a cada centímetro deste solo que pisamos.
Cada imagem de uma criança desamparada, cada relato de dor e desespero, não deveria ser apenas um choque, mas um estopim de revolta e terror. Isso não é apenas uma questão política, é uma questão moral que atinge as fibras mais íntimas da humanidade e, convenhamos, a guerra não discrimina. Porém, o flagelo que se abate sobre essas crianças — vamos focar na Palestina, que é um exemplo gritante — revela a face mais cruel desse conflito: uma luta que desrespeita a inocência e se alimenta da opressão desenfreada.
E o que nos reserva o futuro? Não sou profeta, mas sei que a colheita é proporcional ao que se planta, e a morte de crianças sob os tiros do exército de Israel não é apenas uma tragédia; é um grito ensurdecedor que clama por justiça em um mundo frequentemente surdo aos horrores deste genocídio. Uma indiferença coletiva que, na sua maioria, prefere mirar o próprio umbigo em vez de enxergar a dor que grita além de suas fronteiras. O tempo, esse implacável juiz, apontará os lados, revelará as faces das moedas e cobrará o sangue inocente derramado. Os ‘terroristas’ não nascem, mas aqueles que respiram essa realidade, que entendem o que é vida, inevitavelmente se tornam questões a serem respondidas — uma resposta que a sociedade não quer ouvir.
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