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Crianças desaparecidas em Gaza: famílias seguem há meses sem respostas

Mais de 2.900 crianças permanecem desaparecidas em Gaza em meio ao genocídio conduzido por Israel desde outubro de 2023. A maioria estaria soterrada sob escombros ou desaparecida em circunstâncias não esclarecidas. A destruição massiva e o bloqueio à entrada de equipamentos impedem operações de resgate eficazes. Relatos apontam também para casos de desaparecimento forçado sob custódia militar israelense. O cenário aprofunda uma crise humanitária marcada por incerteza prolongada e sofrimento familiar contínuo.


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De acordo com dados divulgados em 23 de abril de 2026 pelo Centro Palestino para Desaparecidos e Desaparecidos à Força, o número total de palestinos desaparecidos varia entre 7.000 e 8.000, incluindo cerca de 2.700 crianças presumidamente presas sob os escombros de edifícios destruídos pelos bombardeios israelenses. Outras aproximadamente 200 crianças foram classificadas como desaparecidas em circunstâncias diversas, incluindo áreas de distribuição de ajuda humanitária, zonas próximas a posições militares israelenses e corredores de deslocamento forçado.


A diretora do centro, Nada Nabil, afirmou ao The New Arab que “a fome que varreu a Faixa de Gaza forçou muitas crianças a assumirem responsabilidades familiares”, incluindo a busca por lenha e alimentos básicos como farinha, o que as expôs diretamente a áreas militarizadas. Segundo ela, esse contexto levou ao desaparecimento de inúmeras crianças, muitas vezes sem qualquer registro oficial ou possibilidade de rastreamento.


Nada Nabil também destacou que o desaparecimento forçado constitui crime contra a humanidade segundo o direito internacional humanitário, que obriga as partes envolvidas a revelar o paradeiro dos desaparecidos. “O direito internacional ressalta o direito de toda família de saber o destino de seu filho”, afirmou, acrescentando que crianças soterradas continuam sendo consideradas desaparecidas até que seus corpos sejam recuperados, identificados e enterrados com dignidade.


No terreno, a destruição generalizada transformou bairros inteiros em valas comuns. A ausência de maquinário pesado e o bloqueio imposto por Israel à entrada de equipamentos impedem o acesso a corpos, prolongando o sofrimento das famílias e configurando violação direta à dignidade humana. Em muitos casos, parentes não conseguem sequer confirmar a morte de seus filhos, permanecendo presos entre esperança e desespero.


Entre os relatos está o de Majdal Saadallah, moradora da cidade de Gaza, que perdeu o filho Ahmed, de oito anos, após o bombardeio de uma casa onde a família havia buscado refúgio após ordens de evacuação israelenses. “A última vez que vi meu filho, ele estava rindo, segurando seu brinquedo. Ele me perguntou quando voltaria a dormir no quarto”, disse ao The New Arab. Segundo ela, equipes de resgate não conseguiram alcançar o corpo da criança até hoje.


Majdal relatou que retornou diversas vezes ao local destruído na tentativa de encontrar vestígios do filho, mas encontrou apenas “silêncio e poeira”. Ela e o marido foram resgatados após horas sob os escombros, enquanto o corpo da criança permaneceu inacessível, como ocorre com milhares de outros casos semelhantes em toda a Faixa de Gaza.


Outros episódios indicam desaparecimentos em contextos ainda mais opacos. Ibrahim Abu Zaher, de 15 anos, desapareceu em 17 de julho de 2025 após se dirigir à região de Zikim, próxima à fronteira, em busca de ajuda durante a fome que atingia cerca de dois milhões de palestinos. Segundo familiares, o contato foi interrompido repentinamente naquela noite.


Testemunhas relataram que forças israelenses cercaram civis no local e os transferiram para instalações militares. Informações posteriores indicaram que Ibrahim teria sido visto no centro de detenção Sde Teiman em dezembro de 2025, sem qualquer confirmação oficial. Sem registro formal de detenção, ele permanece classificado como desaparecido, alimentando suspeitas de detenção secreta e desaparecimento forçado.


Caso semelhante é o de Mohammed Abu al-Ula, de 17 anos, desaparecido em 7 de outubro de 2023 após sair para acompanhar acontecimentos na região de Khuza'a, a leste de Khan Younis. Sua família percorreu hospitais, necrotérios e organizações de direitos humanos sem obter qualquer informação concreta sobre seu paradeiro, apesar de relatos não confirmados de que ele teria sido levado a uma unidade médica.


Os relatos convergem para um padrão em que o desaparecimento deixa de ser consequência exclusiva dos bombardeios e passa a integrar o cotidiano de sobrevivência sob cerco. Crianças desaparecem ao buscar comida, água ou abrigo, em um ambiente onde a própria tentativa de sobreviver se torna fator de risco extremo.


A ausência de investigações efetivas, combinada com a destruição sistemática de infraestrutura e o controle militar sobre o território, impede a elucidação dos casos e perpetua a crise. Famílias permanecem sem respostas, enquanto o número de desaparecidos segue crescendo em meio à continuidade das operações militares israelenses na Faixa de Gaza.

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