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Crianças morrem de fome enquanto o mundo investe em IA

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, UNCTAD, alertou que a concentração global de investimentos em tecnologia está ampliando desigualdades econômicas entre países centrais e economias periféricas. O diagnóstico foi apresentado nesta semana durante a 12ª Reunião Plurianual de Especialistas sobre Investimento, Inovação e Empreendedorismo, realizada em Genebra. O organismo da ONU afirmou que a reorganização dos fluxos de capital ocorre sob impacto de disputas geopolíticas, controle industrial e competição tecnológica liderada por potências econômicas e conglomerados privados.


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Segundo a Unctad, os investimentos internacionais em setores tecnológicos passaram a se concentrar em um número reduzido de segmentos econômicos, com destaque para inteligência artificial e energias renováveis. A agência informou que os recursos financeiros internacionais estão sendo direcionados para áreas associadas à disputa tecnológica entre potências industriais e ao controle de cadeias produtivas estratégicas.


O relatório apresentado em Genebra aponta que cerca de 75% do Investimento Direto Estrangeiro, IDE, está concentrado em apenas dez países. Entre essas economias aparece o Brasil, listado pela agência como um dos principais destinos de capital estrangeiro voltado para setores tecnológicos e infraestrutura ligada à transição energética.


A Unctad afirmou que a concentração do IDE limita a capacidade de países em desenvolvimento e economias menos industrializadas de atrair financiamento externo, gerar empregos qualificados e ampliar transferência de tecnologia. O organismo destacou que o capital internacional passou a operar com critérios associados a alinhamentos geopolíticos, segurança industrial e integração regional.


O documento sustenta que o investimento tecnológico global tornou-se “mais seletivo, mais político e mais desigual”. A agência relaciona essa mudança ao avanço de políticas industriais adotadas por governos centrais, incluindo subsídios, restrições comerciais, controle de exportações e mecanismos de supervisão sobre cadeias produtivas ligadas a semicondutores, inteligência artificial e infraestrutura energética.


A reunião em Genebra também abordou os efeitos das disputas entre Estados Unidos e China sobre o redesenho do comércio internacional e dos investimentos produtivos. Nos últimos anos, Washington ampliou medidas de restrição tecnológica contra empresas chinesas e passou a incentivar relocalização industrial para países alinhados à política externa estadunidense.


Segundo dados apresentados pela Unctad, os fluxos globais de Investimento Direto Estrangeiro registraram queda de 11% em 2024. Em 2025, houve recuperação de 5%, movimento atribuído à reorganização das cadeias produtivas internacionais e à busca empresarial por mercados considerados politicamente alinhados.


A agência afirmou que empresas transnacionais passaram a deslocar investimentos para regiões integradas a blocos econômicos e acordos estratégicos. Paralelamente, governos ampliaram políticas de controle industrial e mecanismos de supervisão sobre setores classificados como estratégicos.


A Unctad destacou que esse cenário produz efeitos distintos entre países integrados às novas redes regionais de produção e economias excluídas dessas cadeias. O organismo afirmou que a reorganização do capital internacional amplia o fosso econômico entre países industrializados e nações dependentes de exportação de matérias-primas e financiamento externo.


Apesar do quadro de concentração, a agência apontou crescimento de iniciativas de financiamento sustentável e expansão de mecanismos de cooperação Sul-Sul. A Unctad também citou reformas implementadas por economias em desenvolvimento para ampliar capacidade industrial e retenção de investimentos.


Na semana passada, a agência reuniu especialistas e representantes governamentais em Genebra para discutir mecanismos de inserção de países com orçamento limitado em setores ligados à inteligência artificial. O encontro abordou estratégias para formação de ecossistemas tecnológicos internos, desenvolvimento industrial e retenção de capital produtivo dentro dessas economias.

 
 

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