"Crise de recrutamento" sem precedentes no exército israelense
- www.jornalclandestino.org

- 18 de mai.
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Os principais meios de comunicação israelenses passaram a alertar para uma crise de recrutamento nas forças armadas israelenses em meio à continuidade das operações militares em Gaza, Cisjordânia e Líbano. O debate ganhou dimensão institucional após oficiais admitirem falta de tropas e pressão sobre soldados da ativa e reservistas. A disputa em torno do recrutamento obrigatório de judeus ultraortodoxos expôs fissuras dentro da coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e ampliou o desgaste social provocado pela manutenção de múltiplas frentes militares.

O jornal israelense Yedioth Ahronoth publicou que o atual modelo de mobilização militar tornou-se insustentável sem a incorporação dos Haredim, grupo formado por judeus ultraortodoxos historicamente dispensados do serviço militar obrigatório desde a fundação de Israel em 1948. A publicação afirmou que o sistema político entrou em um “impasse perigoso” devido ao bloqueio de uma nova legislação de recrutamento.
Segundo o veículo, o alto comando das chamadas Forças de “Defesa” de Israel comunicou ao governo que a manutenção das operações militares dependerá da ampliação imediata do número de soldados disponíveis. O alerta ocorre após 32 meses de ofensivas militares contínuas contra Gaza e operações paralelas na Cisjordânia ocupada e no sul do Líbano.
O jornal Haaretz relatou que a escassez de pessoal provocou sobrecarga entre soldados da ativa e integrantes das forças de reserva. O periódico descreveu o cenário como um “fardo crescente nas tarefas militares e atritos diários contínuos” dentro dos quartéis israelenses.
A crise ganhou novo patamar em 25 de junho de 2024, quando a Suprema Corte israelense decidiu que os Haredim deveriam ser submetidos ao alistamento obrigatório. A decisão também determinou a suspensão do financiamento público destinado às yeshivas, instituições religiosas judaicas que recusassem enviar estudantes para o serviço militar.
A medida provocou manifestações de grupos ultraortodoxos e reação dos partidos Shas e Judaísmo Unido da Torá, pilares da coalizão de Netanyahu. Lideranças religiosas acusaram o Estado israelense de atacar o modelo histórico que garantia exclusividade ao estudo da Torá para integrantes dessas comunidades.
A tensão política ocorre enquanto setores da sociedade israelense passaram a exigir distribuição do peso militar entre todos os grupos sociais. A permanência das operações militares e o aumento das baixas nas tropas de reserva ampliaram a pressão sobre o governo para alterar o sistema de isenções mantido desde a criação do Estado israelense.
O Canal 13 da televisão israelense divulgou declarações de um oficial militar de alta patente reconhecendo a dimensão da escassez de tropas. “Já faz um bom tempo que estamos alertando sobre a escassez de tropas. Precisamos de mais soldados, mais pessoal, em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano”, afirmou a fonte militar.
A manutenção simultânea de operações em Gaza, no território palestino ocupado da Cisjordânia e no Líbano aprofundou a dependência israelense das forças de reserva. Desde outubro de 2023, centenas de milhares de reservistas foram convocados em sucessivas mobilizações, enquanto o governo Netanyahu manteve a expansão das operações militares mesmo diante de denúncias internacionais relacionadas ao genocídio da população palestina em Gaza.
O debate sobre o recrutamento dos ultraortodoxos deixou de ser apenas uma disputa religiosa e passou a integrar o centro da crise política israelense. A exigência por novos contingentes militares ocorre ao mesmo tempo em que cresce a resistência interna contra a continuidade das campanhas militares e contra o custo econômico imposto pela mobilização permanente da sociedade israelense.
As informações foram publicadas pela teleSUR em 17 de maio de 2026 com base em reportagem da Prensa Latina e declarações reproduzidas pelos jornais israelenses Yedioth Ahronoth, Haaretz e Canal 13.



































