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Cuba: Guterres defende que não existe "solução militar"

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que “não há qualquer solução militar” para Cuba após ameaças de invasão feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração ocorreu em 11 de maio, durante coletiva de imprensa na sede das Nações Unidas em Nairóbi, no Quênia, em meio à escalada das sanções econômicas impostas por Washington contra Havana. Guterres também condenou o bloqueio estadunidense contra Cuba e afirmou que as medidas violam o Direito Internacional.


Cuba ©OGLOBO
Cuba ©OGLOBO

“Estamos muito preocupados com a situação humanitária em Cuba e acreditamos que não há qualquer solução militar que se possa procurar para Cuba. Precisamos de um diálogo construtivo para garantir que o povo cubano não continue a sofrer de forma tão dramática”, declarou o secretário-geral da ONU.

As declarações ocorreram após Donald Trump afirmar, em 1º de maio, que os Estados Unidos assumiriam o controle de Cuba “quase imediatamente” após concluir operações militares contra o Irã. A fala foi feita no contexto da ofensiva militar conduzida por Washington em coordenação com Israel contra a República Islâmica desde o fim de fevereiro.


No mesmo dia, Trump assinou uma nova ordem executiva ampliando o alcance das sanções contra Havana. O decreto passou a atingir pessoas físicas e empresas estrangeiras que mantenham relações comerciais com Cuba, principalmente nos setores de energia, defesa, segurança e finanças.


Segundo o texto da ordem executiva, qualquer empresa ou indivíduo ligado a esses setores poderá ter ativos bloqueados nos Estados Unidos caso mantenha negócios com o governo cubano.


Desde janeiro, Washington intensificou o bloqueio petrolífero contra Cuba após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças militares estadunidenses. Depois da operação realizada na Venezuela, os Estados Unidos interromperam o envio de petróleo venezuelano para Havana e ameaçaram impor tarifas a países que continuassem fornecendo combustível à ilha caribenha.


As medidas provocaram redução do abastecimento energético cubano e apagões em diferentes regiões do país. Paralelamente, o governo estadunidense ampliou pressões políticas contra o presidente cubano Miguel Díaz-Canel e passou a exigir mudanças no sistema político e econômico da ilha.


Durante a coletiva em Nairóbi, Guterres afirmou que a situação cubana não pode ser comparada à operação militar conduzida pelos Estados Unidos contra a Venezuela.


“Na Venezuela, honestamente, assistimos a uma operação militar contra Maduro, mas tenho a impressão de que houve grandes cumplicidades dentro do sistema político venezuelano”, afirmou. “Por isso, comparar a Venezuela com Cuba parece-me uma comparação injusta”, acrescentou.

O secretário-geral também reiterou a posição histórica da ONU contra o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba. “As sanções violam o Direito Internacional”, declarou.


As sanções econômicas impostas por Washington contra Havana se mantêm há décadas e foram ampliadas após o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Desde janeiro, o bloqueio petrolífero passou a impedir quase totalmente a entrada de petróleo e combustíveis na ilha.


Apesar da escalada das medidas econômicas e das ameaças militares, autoridades cubanas e estadunidenses reconheceram que mantêm conversações há mais de um mês. Nenhum dos dois governos informou quais temas estão sendo discutidos nem revelou detalhes sobre possíveis avanços diplomáticos.

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