Cuba questiona os dois pesos e duas medidas da União Europeia em relação ao bloqueio imposto pelos EUA
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- 25 de mai.
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O chanceler cubano Bruno Rodríguez acusou a União Europeia de aplicar “dois pesos e duas medidas” ao tratar o bloqueio imposto pelos Estados Unidos contra Cuba. A declaração foi publicada nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, em meio à ampliação de sanções estadunidenses com alcance extraterritorial contra empresas e cidadãos que mantêm relações comerciais com a ilha. Havana voltou a denunciar que as medidas de Washington atingem comércio, sistema financeiro, abastecimento energético e relações econômicas de terceiros países em violação ao Direito Internacional.

A crítica do governo cubano foi divulgada pela agência Prensa Latina após publicação de Bruno Rodríguez na rede social X. O ministro das Relações Exteriores afirmou que a Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros deveria assumir posição coerente com os princípios que o próprio bloco europeu afirma defender em matéria de Direito Internacional e paz internacional.
Rodríguez questionou o fato de autoridades europeias evitarem reconhecer publicamente que o bloqueio imposto pelos Estados Unidos constitui a principal causa das dificuldades econômicas enfrentadas por Cuba. Segundo o chanceler, a política estadunidense afeta não apenas a economia cubana, mas também empresas e cidadãos europeus submetidos a sanções secundárias e ameaças financeiras decorrentes das medidas decretadas por Washington.
O ministro cubano afirmou que as últimas medidas adotadas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, possuem caráter “extraterritorial e ilegal”. As sanções ampliadas pelo governo estadunidense permitem punições contra bancos, empresas, transportadoras e entidades financeiras de terceiros países que mantenham operações comerciais ou vínculos econômicos com Havana.
Desde maio de 2026, a Casa Branca intensificou medidas coercitivas contra Cuba por meio de decretos executivos voltados ao sistema financeiro internacional, importação de combustíveis e transações comerciais realizadas em dólar. O governo cubano sustenta que essas medidas atingem abastecimento energético, aquisição de medicamentos, importação de alimentos e funcionamento de infraestrutura industrial.
Na publicação, Rodríguez declarou que “as transformações soberanas e profundas que ocorreram em Cuba nas últimas décadas, com amplo consenso popular, fazem parte de nossos assuntos internos”. O chanceler acusou governos ocidentais de utilizarem temas políticos e econômicos como instrumentos de pressão diplomática contra países que mantêm projetos soberanos fora da órbita estratégica estadunidense.
Apesar das críticas à posição europeia, o governo cubano agradeceu a ajuda humanitária enviada por países da União Europeia e reconheceu a continuidade da cooperação bilateral existente entre Havana e o bloco europeu. Rodríguez mencionou o Acordo de Diálogo Político e Cooperação firmado entre Cuba e a União Europeia como mecanismo institucional para manutenção das relações diplomáticas.
“Concordamos que oferece múltiplos espaços para um diálogo abrangente, para trocar ideias sobre as nossas diferenças e manter uma relação sempre baseada no respeito, na igualdade e na reciprocidade”, afirmou o chanceler cubano.
Rodríguez acrescentou que Cuba continuará buscando relações com a União Europeia baseadas “nesses princípios”. O governo cubano sustenta que o bloqueio estadunidense viola princípios básicos da soberania nacional ao tentar impor legislação doméstica estadunidense sobre empresas e instituições estrangeiras.
As medidas coercitivas impostas contra Cuba começaram após a Revolução Cubana de 1959 e foram ampliadas ao longo das décadas por sucessivos governos estadunidenses. O sistema de sanções inclui restrições financeiras, bloqueio comercial, limitações bancárias, perseguição a navios petroleiros e punições contra companhias estrangeiras que operem em setores estratégicos da economia cubana.
Nas Nações Unidas, a Assembleia Geral aprovou em diversas ocasiões resoluções condenando o bloqueio estadunidense contra Cuba. Washington mantém as medidas apesar das votações internacionais e das denúncias apresentadas por Havana sobre impactos econômicos e sociais causados pelas restrições comerciais e financeiras.
A reportagem da Prensa Latina destacou que as sanções secundárias aplicadas pelos Estados Unidos buscam impor jurisdição estadunidense além de suas fronteiras nacionais, atingindo empresas estrangeiras que mantenham laços comerciais com Cuba.



































