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Desdolarização em marcha: República Democrática do Congo anuncia restrições históricas

O Banco Central da República Democrática do Congo anunciou a proibição do uso de moedas estrangeiras em transações em espécie a partir de abril de 2027. A medida atinge diretamente o dólar, amplamente utilizado no país desde a década de 1990. Segundo o governador Andre Wameso, a decisão busca conter lavagem de dinheiro e reforçar o franco congolês. A restrição também impedirá bancos comerciais de importar fisicamente moeda estrangeira. O anúncio ocorre em meio à crescente desconfiança popular na moeda nacional e à pressão estrutural de dependência econômica externa.


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De acordo com comunicado oficial divulgado em 9 de abril, todas as transações comerciais em moeda estrangeira deverão ser realizadas exclusivamente por meios eletrônicos via sistema bancário, eliminando o uso de dinheiro físico em dólares ou outras moedas. A decisão, apresentada como medida técnica de regulação financeira, surge em um contexto de fragilidade monetária crônica e crescente dolarização da economia congolesa, fenômeno que limita a soberania econômica do país.


O Banco Central justificou a iniciativa como parte do “combate ao risco de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo”, reproduzindo uma retórica frequentemente mobilizada por instituições financeiras sob influência de diretrizes internacionais. No entanto, a medida também reflete uma tentativa de recuperar o controle sobre a política monetária em um país historicamente submetido a pressões externas e fluxos financeiros dominados por interesses estrangeiros.


A presença massiva do dólar na economia da República Democrática do Congo remonta à década de 1990, quando o país enfrentou uma hiperinflação que atingiu cerca de 2.000% ao ano. Desde então, a moeda estadunidense passou a ser utilizada como referência de valor e meio de troca predominante, especialmente em transações acima de 5 dólares. Atualmente, grande parte das operações comerciais relevantes ocorre fora do franco congolês, evidenciando a perda de confiança na moeda local.


Os dados históricos reforçam o quadro de desvalorização contínua. Em 2010, a taxa de câmbio era de aproximadamente 920 francos por dólar. Em 2026, esse valor gira em torno de 2.300 francos por dólar, indicando uma deterioração significativa do poder de compra da moeda nacional ao longo de pouco mais de uma década. Esse processo contribuiu para consolidar a dolarização informal da economia e reduzir a capacidade do Estado congolês de exercer controle efetivo sobre sua própria política monetária.


Não é a primeira tentativa das autoridades congolesas de conter o avanço do dólar. Em 2024, o Banco Central determinou que bancos e instituições financeiras configurassem seus terminais eletrônicos para aceitar exclusivamente o franco congolês, medida que teve impacto limitado diante da preferência generalizada pela moeda estrangeira. A nova restrição, mais abrangente, busca atingir diretamente o uso cotidiano do dólar em espécie, elemento central da economia informal do país.


Com uma população superior a 100 milhões de pessoas, a República Democrática do Congo permanece entre os países mais pobres do mundo, apesar de possuir vastas reservas de recursos minerais estratégicos, como cobalto e cobre. Essa riqueza tem atraído investimentos de potências estrangeiras, incluindo Estados Unidos e China, aprofundando a inserção subordinada do país nas cadeias globais de exploração de recursos naturais.

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