Ebola se propaga rapidamente na RD Congo com mais de 500 casos
- www.jornalclandestino.org

- 20 de mai.
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A Organização Mundial da Saúde informou em 19 de maio que a República Democrática do Congo já registra mais de 500 casos suspeitos de Ebola e 130 mortes ligadas à doença. O surto ocorre nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, regiões marcadas por operações armadas, deslocamentos internos e desestruturação do sistema de saúde após décadas de intervenção externa, disputa por recursos minerais e presença de grupos armados. A OMS confirmou apenas 30 casos até o momento e declarou emergência de saúde pública internacional diante da velocidade de propagação da epidemia.

A representante da Organização Mundial da Saúde na República Democrática do Congo, Anne Ancia, afirmou em entrevista concedida de Bunia a jornalistas em Genebra que há “incerteza significativa sobre o número de infecções e até onde o vírus se espalhou”. Segundo ela, equipes de saúde trabalham para conter a transmissão em cenário de circulação acelerada da doença.
O surto está associado à cepa Bundibugyo do vírus Ebola, variante para a qual não existem vacinas nem tratamentos aprovados. A OMS informou que enviou kits de testagem adicionais para o leste congolês após falhas iniciais de diagnóstico. Muitos pacientes haviam sido testados para a cepa Zaire do Ebola e receberam resultado negativo, o que atrasou a resposta sanitária.
Anne Ancia explicou que os primeiros casos identificados em Bunia tiveram ligação direta com rituais funerários realizados em Mongbwalu. Segundo a representante da OMS, uma pessoa morreu em Bunia e o corpo foi levado para Mongbwalu. Após o manuseio do cadáver durante cerimônias funerárias, o vírus começou a circular entre moradores da região.
A confirmação da variante Bundibugyo só ocorreu após exames laboratoriais realizados em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. A demora na identificação elevou o número de pessoas expostas ao vírus em áreas urbanas e rotas de deslocamento populacional.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Ghebreyesus, declarou no domingo emergência de saúde pública de preocupação internacional. Tedros afirmou estar apreensivo com “a escala e velocidade da epidemia”. Ele alertou que a doença pode avançar para centros urbanos como Kampala, em Uganda, e Goma, no leste congolês.
A OMS informou que a circulação do vírus entre profissionais de saúde também elevou o risco de transmissão regional. O deslocamento de populações causado pelos confrontos armados no leste da República Democrática do Congo dificultou o rastreamento de contatos e o isolamento de casos suspeitos.
A doença provoca febre, fadiga, diarreia, vômitos e sangramentos a partir do quinto dia de infecção. A OMS informou que um grupo técnico se reuniu em 19 de maio para discutir quais candidatas a vacina contra a cepa Bundibugyo poderão receber prioridade em pesquisas e produção.
Anne Ancia declarou que a disponibilização de uma vacina poderá levar meses. Segundo ela, a contenção da transmissão depende do trabalho comunitário voltado para informação sanitária e controle de práticas funerárias associadas ao contágio.
A Agência das Nações Unidas para Refugiados informou que as províncias de Ituri e Kivu do Norte concentram mais de 2 milhões de deslocados internos e retornados. O Acnur declarou que a estrutura de saúde da região permanece enfraquecida pelos confrontos armados, pela destruição de infraestrutura e pela crise humanitária instalada no leste congolês.
O avanço da epidemia ocorre em uma região submetida há décadas à presença de milícias, operações militares estrangeiras, disputa por coltan, ouro e cobalto, além de ciclos contínuos de deslocamento forçado. O sistema sanitário congolês enfrenta escassez de equipamentos, profissionais e laboratórios em áreas controladas por grupos armados ou isoladas por confrontos.



































