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- www.jornalclandestino.org

- 18 de mai.
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A Polícia Federal investiga uma estrutura financeira nos Estados Unidos ligada ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão patrimonial. A apuração concentra-se na compra de uma residência em Arlington, no Texas, avaliada em 3,6 milhões de reais, adquirida por um fundo controlado por aliados do filho de Jair Bolsonaro. Segundo a investigação, recursos destinados a uma produção cinematográfica teriam sido desviados para sustentar Eduardo Bolsonaro fora do alcance da Justiça brasileira.

A investigação da Polícia Federal apura se verbas transferidas para um projeto audiovisual ligado ao ex-secretário especial da Cultura Mario Frias foram utilizadas para financiar patrimônio e despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O caso envolve transferências de 61 milhões de reais realizadas entre fevereiro e maio de 2025 pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, por meio da empresa Entre Investimentos e Participações.
Segundo a investigação citada pela teleSUR com base em informações do Brasil de Fato, parte dos recursos foi direcionada ao Fundo de Desenvolvimento Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração e parceiro de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Calixto também controla a Mercury Legacy Trust, entidade responsável pela compra da residência em Arlington.
A aquisição do imóvel ocorreu em fevereiro do ano anterior. Documentos da compra apontam Paulo Calixto como administrador da estrutura utilizada na transação imobiliária. A Polícia Federal busca determinar se o imóvel foi adquirido para ocultar patrimônio ligado a Eduardo Bolsonaro após medidas judiciais impostas pelo Supremo Tribunal Federal.
As investigações também envolvem André Porciúncula, ex-oficial da Polícia Militar e antigo auxiliar de Mario Frias. Segundo o relatório policial citado pela teleSUR, o nome de Porciúncula aparece nos documentos relacionados à aquisição da residência no Texas. Aliados políticos do grupo bolsonarista apontam Porciúncula como responsável pela logística e pelas atividades de Eduardo Bolsonaro em território estadunidense.
A Polícia Federal suspeita que a produção cinematográfica utilizada como justificativa para obtenção dos recursos funcionou como mecanismo de movimentação financeira para proteção patrimonial. O senador Flávio Bolsonaro teria participado da articulação para obtenção dos valores junto ao dono do Banco Master. Segundo o material investigativo, a alegação apresentada era de que o dinheiro financiaria um filme idealizado por Mario Frias.
O caso amplia a rede de conexões financeiras e políticas entre integrantes do bolsonarismo e operadores instalados nos Estados Unidos após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro reside atualmente em território estadunidense e mantém relações com grupos da extrema-direita local, empresários e operadores ligados a campanhas internacionais da direita alinhada à política externa estadunidense.
Em depoimento, Flávio Bolsonaro confirmou ter solicitado os recursos a Daniel Vorcaro, mas negou que os valores tenham sido usados para manter o irmão no exterior. Eduardo Bolsonaro afirmou que a investigação seria uma “farsa” e declarou que sua condição migratória nos Estados Unidos impediria o recebimento de fundos de investimento.
O ex-deputado também declarou que a produção audiovisual é estadunidense para evitar “perseguição política no Brasil”. Eduardo Bolsonaro defendeu Paulo Calixto e negou irregularidades envolvendo o imóvel investigado pela Polícia Federal.
André Porciúncula declarou que a residência em Arlington “não possui qualquer ligação com Eduardo Bolsonaro ou com o Banco Master”. Ele também afirmou que dados sobre o beneficiário do imóvel “não são de interesse público”.
As investigações ocorrem enquanto setores do bolsonarismo mantêm operações políticas, empresariais e financeiras nos Estados Unidos após a abertura de investigações no Brasil envolvendo tentativa de golpe, financiamento de estruturas digitais e ataques às instituições eleitorais brasileiras. A permanência de aliados de Jair Bolsonaro em território estadunidense tornou-se parte da estratégia de reorganização internacional do grupo após as medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal.
A reportagem foi publicada pela teleSUR com base em informações do Brasil de Fato e documentos relacionados à investigação conduzida pela Polícia Federal brasileira.



































