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Gaza registra o maior número de mortes em seis meses

Pelo menos 119 palestinos foram mortos na Faixa de Gaza durante o mês de maio, segundo dados divulgados em 3 de junho pelo Ministério da Saúde palestino. O número representa o maior total mensal de mortes registrado no território desde o início de 2026. Os dados foram divulgados enquanto Israel ampliava bombardeios, ataques terrestres e operações militares meses após a entrada em vigor de um acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos.


De acordo com o Ministério da Saúde palestino, entre os 119 mortos registrados em maio estavam 19 crianças e 10 mulheres. As autoridades de saúde apontaram que o aumento das mortes ocorreu paralelamente à intensificação das operações israelenses em diferentes áreas da Faixa de Gaza. Nas 24 horas anteriores à divulgação do balanço, meios de comunicação palestinos registraram 11 novas violações do acordo de cessar-fogo por parte das forças israelenses. Os episódios resultaram em mortes e ferimentos entre a população palestina.


Na manhã de 3 de junho, veículos de imprensa locais relataram disparos efetuados por veículos militares israelenses contra áreas situadas a leste de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza. Na mesma data, unidades militares israelenses também realizaram ataques contra regiões orientais do campo de refugiados de Jabalia, no norte do território.


Segundo o Gabinete de Imprensa do Governo de Gaza, desde outubro foram registradas mais de 3.000 violações do acordo de cessar-fogo. Os registros incluem bombardeios, ataques aéreos, ações contra civis, destruição de áreas residenciais e incursões militares em bairros habitados.

O órgão informou que essas ações resultaram na morte de mais de 933 pessoas e deixaram outras 2.868 feridas desde o início da vigência do acordo. O Gabinete de Imprensa também afirmou que pelo menos 82 palestinos foram sequestrados por forças israelenses no mesmo período.


Com os números atualizados, o total de palestinos mortos desde o início do genocídio contra a população de Gaza, em outubro de 2023, chegou a 72.942, segundo autoridades palestinas. O balanço inclui milhares de desaparecidos que permanecem sob escombros em diferentes regiões do enclave.


A escalada militar ocorre meses após a implementação de um cessar-fogo negociado com participação do governo estadunidense. O acordo tinha como objetivo interromper o genocídio em Gaza e abrir caminho para negociações posteriores, mas ataques militares, restrições à entrada de ajuda humanitária e operações de ocupação territorial continuaram sendo registrados pelas autoridades palestinas.


Diante da ampliação das operações israelenses, o Hamas divulgou declarações condenando o que definiu como "crimes e violações" cometidos por Israel contra a população palestina.


Em pronunciamento gravado divulgado em 2 de junho, o porta-voz militar do movimento, Abu Obeida, denunciou o que chamou de "assassinato diário de nosso povo e de nossos combatentes da resistência". O dirigente também mencionou a morte de integrantes da liderança da organização durante o último mês.


"Se o nosso inimigo covarde imagina que pode nos enfraquecer assassinando nossos líderes, então o sangue deles é o combustível que impulsiona nosso navio através das dificuldades e a prova da verdade da nossa causa, da nossa liderança, da nossa união com o nosso povo e da nossa disposição de nos sacrificarmos por ele", declarou Abu Obeida.


Em outra manifestação pública, o porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, rejeitou acusações de que o movimento estaria impedindo mudanças administrativas em Gaza. Segundo ele, as alegações constituem "mentiras enganosas destinadas a dar cobertura para que a ocupação continue sua agressão".


Qassem atribuiu a Israel e a Nickolay Mladenov, diretor-geral do chamado Conselho de Paz estadunidense, a responsabilidade por impedir a entrada em Gaza de um comitê tecnocrático que assumiria funções administrativas no território anteriormente exercidas pelo Hamas.


Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, negociações relacionadas à segunda etapa do acordo permanecem paralisadas. Autoridades palestinas e organizações políticas do território afirmam que os ataques militares, as restrições à ajuda humanitária e a expansão do controle territorial israelense impediram a implementação dos compromissos previstos nas etapas seguintes das negociações.


Em reportagens publicadas nos últimos dias, veículos de comunicação e organizações internacionais também registraram denúncias relacionadas ao uso da fome como instrumento de pressão contra a população palestina, à continuidade dos bombardeios durante o Eid al-Adha e à ampliação das operações militares ordenadas pelo governo de Benjamin Netanyahu em diferentes áreas da Faixa de Gaza.

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