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Guerra EUA-Irã: Guterres cobra avanço nas negociações e respeito ao cessar-fogo

A ONU afirmou que Estados Unidos e Irã devem manter negociações para encerrar a guerra em curso.António Guterres declarou que não há solução militar para o conflito e pediu preservação do cessar-fogo.As conversas mediadas pelo Paquistão terminaram sem acordo em Islamabad.A ONU alertou para riscos à navegação no Estreito de Ormuz após medidas militares recentes.Cerca de 20 mil marinheiros seguem retidos em embarcações no Golfo Pérsico em meio à escalada.


António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas
António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026, que Estados Unidos e Irã devem dar continuidade às negociações com o objetivo de encerrar a guerra em andamento há semanas, destacando que “não há solução militar para o conflito”. A declaração foi divulgada em meio ao colapso das negociações realizadas em Islamabad, no Paquistão, que terminaram sem acordo apesar da mediação de Paquistão, Arábia Saudita, Egito e Turquia.

Segundo o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, embora não tenha sido alcançado um entendimento, “as discussões em si ressaltaram a seriedade do seu envolvimento e constituíram um passo positivo e significativo rumo à retomada do diálogo”. Dujarric acrescentou ainda que, diante das “profundas divergências”, um acordo não pode ser alcançado rapidamente e que o secretário-geral insiste na continuidade das negociações “de forma construtiva”, ao mesmo tempo em que exige a preservação integral do cessar-fogo e o fim de todas as violações registradas.


Guterres também agradeceu ao Paquistão e aos demais mediadores regionais envolvidos nas tratativas, reforçando o apelo para que a comunidade internacional apoie os esforços diplomáticos em curso. O secretário-geral enfatizou que todas as partes devem respeitar a liberdade de navegação internacional, incluindo no estratégico Estreito de Ormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, conforme normas do direito internacional.


No mesmo contexto, a ONU informou que o governo estadunidense anunciou planos para bloquear navios que entram e saem de portos iranianos, medida que entrou em vigor na segunda-feira e elevou a tensão na região marítima. A decisão impactou diretamente o fluxo de embarcações no Golfo Pérsico, onde cerca de 20 mil marinheiros permanecem retidos em navios, enfrentando condições cada vez mais precárias, segundo comunicado das Nações Unidas.


O chefe da Organização Marítima Internacional (IMO), Arsenio Dominguez, alertou para o agravamento da situação ao afirmar que “seria muito fácil para qualquer pessoa imaginar-se numa situação em que estivesse presa a bordo de um navio sem poder navegar há mais de um mês”, destacando ainda a ameaça constante de ataques e a possibilidade de escassez de suprimentos a bordo das embarcações.


Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) indicam que o Estreito de Ormuz concentra aproximadamente 35% do petróleo bruto mundial, equivalente a cerca de 20 milhões de barris diários, além de 30% do comércio global de fertilizantes e um quinto do gás natural liquefeito. A ONU alertou que a interrupção dessas rotas já provoca efeitos diretos na economia global, com aumento da vulnerabilidade de cadeias de suprimentos e pressão inflacionária em diversos setores.


O comunicado também aponta que a instabilidade no corredor marítimo agrava a insegurança alimentar global, ao comprometer o fornecimento de fertilizantes e insumos agrícolas essenciais, afetando diretamente a produção em escala mundial e elevando o custo de alimentos e combustíveis. Nesse cenário, a ONU informou que continuam as discussões sobre a criação e operação de uma força-tarefa específica para o Estreito de Ormuz, enquanto o enviado pessoal do secretário-geral para o Oriente Médio, Jean Arnault, mantém consultas ativas com diferentes partes envolvidas na região.

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