Israelenses entoam ameaças e slogans anti-palestinos na marcha das bandeiras
- www.jornalclandestino.org

- 15 de mai.
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Milhares de israelenses ultranacionalistas atravessaram o bairro muçulmano da Cidade Velha de Jerusalém em 14 de maio sob proteção da polícia israelense e entoando palavras de ordem contra palestinos. Durante a marcha do chamado “Dia de Jerusalém”, grupos gritaram “Morte aos árabes” e “Que suas aldeias sejam queimadas”, enquanto comerciantes palestinos fecharam lojas e permaneceram dentro de casa. O ato ocorreu em meio ao genocídio em Gaza, às operações militares israelenses na região e à escalada envolvendo o Irã.

A marcha anual organizada por grupos nacionalistas israelenses celebra a ocupação e anexação de Jerusalém Oriental após a guerra árabe-israelense de 1967. Israel incorporou a parte oriental da cidade ao seu território após a ocupação militar, medida rejeitada pelas Nações Unidas e considerada ilegal pelo direito internacional. Jerusalém Oriental possui maioria populacional palestina e permanece reivindicada pelos palestinos como futura capital de um Estado palestino.
Segundo relatos da AFP e imagens divulgadas nas redes sociais, dezenas de milhares de israelenses, muitos adolescentes e jovens adultos, atravessaram as ruas estreitas da Cidade Velha escoltados por forças policiais israelenses posicionadas em diferentes pontos da área ocupada. Os manifestantes bateram em portas metálicas de lojas palestinas fechadas e entoaram slogans racistas durante o trajeto até o Muro das Lamentações.
Vídeos compartilhados online mostraram grupos de jovens vestidos com camisetas brancas empurrando ativistas israelenses e palestinos ligados ao movimento Standing Together, organização que atua contra a ocupação israelense e em defesa da convivência entre palestinos e israelenses. Em uma das gravações, jovens israelenses lançaram cadeiras de plástico contra um comerciante palestino enquanto gritavam “Árabes filhos de prostitutas”.
A AFP informou que grande parte dos comerciantes palestinos da Cidade Velha encerrou as atividades antes da passagem da marcha. Algumas lojas permaneceram abertas sob proteção de ativistas do Standing Together, que organizaram uma ação para tentar impedir agressões contra moradores e comerciantes palestinos.
A polícia israelense manteve presença em toda a área durante o evento, mas ativistas acusaram as forças de segurança de não agir para impedir agressões e intimidações. A marcha ocorre todos os anos e registra episódios de violência contra palestinos, ataques físicos, destruição de propriedades e ameaças.
Nos degraus próximos ao Portão de Damasco, uma das entradas da Cidade Velha, ativistas israelenses vestidos de branco distribuíram flores para pedestres palestinos e israelenses antes da chegada da marcha. O gesto foi descrito como manifestação de solidariedade diante da escalada de violência associada ao evento.
Ilan Perez, israelense de 52 anos que participou da ação organizada por ativistas antiguerra, declarou à AFP que compareceu para demonstrar solidariedade à população palestina local. “Era importante para mim vir para demonstrar solidariedade com a comunidade local e dizer que, como judeu, como sionista, como alguém que deseja um Estado judeu aqui, quero que eles façam parte disso e sejam parte da nação com direitos iguais”, afirmou Perez, morador de Raanana, cidade próxima a Tel Aviv.
Rula Daoud, codiretora do movimento Standing Together, afirmou que a marcha se tornou mais violenta após os ataques de 7 de outubro de 2023 e durante o genocídio conduzido por Israel contra a população palestina em Gaza. Ela acusou a polícia israelense de permitir a ação de grupos ultranacionalistas contra palestinos dentro da Cidade Velha.
“Neste dia, milhares de colonos e jovens e idosos fascistas de direita estarão perambulando pelas ruas, entoando insultos racistas, tentando destruir propriedades pertencentes aos palestinos e simplesmente aterrorizando a região”, declarou Daoud.
“Nossa presença visa apenas proteger as pessoas de ataques e os locais de vandalismo. E tentamos apaziguar os ânimos neste dia”, acrescentou.
Durante a marcha, grupos de manifestantes também confrontaram jornalistas presentes na cobertura do evento. Segundo relatos registrados no local, profissionais da imprensa foram empurrados e impedidos de filmar parte das agressões e palavras de ordem entoadas pelos participantes.



































