Jornalista perseguido por Zambelli tem processo arquivado pela Justiça paulista
- www.jornalclandestino.org

- 17 de jun.
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A Justiça de São Paulo arquivou o processo por difamação movido pela ex-deputada federal Carla Zambelli contra o jornalista Luan Araújo. A decisão foi proferida na segunda-feira, 15 de junho de 2026, pelo juiz José Fernando Steinberg, do Juizado Especial Criminal. O encerramento da ação ocorreu após o pagamento da multa aplicada ao jornalista em decorrência da condenação relacionada ao caso.

O processo teve origem em um artigo publicado por Luan Araújo no portal Diário do Centro do Mundo após o episódio ocorrido às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2022, quando Carla Zambelli perseguiu o jornalista armada pelas ruas da zona sul da cidade de São Paulo. No texto, Araújo afirmou que a então deputada era “seguida por uma seita de doentes de uma extrema direita” e classificou essa corrente política como “mesquinha, maldosa e mercadora da morte”.
Em resposta à publicação, Zambelli recorreu ao Judiciário alegando difamação. A ação resultou na condenação de Luan Araújo pelos crimes de injúria e difamação. A sentença determinou inicialmente cumprimento de pena em regime aberto, posteriormente substituída pelo pagamento de multa no valor de R$ 2.216,30.
De acordo com a defesa do jornalista, o valor não foi quitado dentro do prazo por ausência de recursos financeiros. Em razão do não pagamento, a Justiça determinou no início de junho de 2026 a prisão de Araújo para execução da pena remanescente.
Nas semanas seguintes, familiares, amigos e apoiadores do jornalista organizaram uma arrecadação pela internet para reunir o montante exigido pela decisão judicial. Após a quitação da multa, o juiz José Fernando Steinberg reconheceu o cumprimento integral da sanção e extinguiu a execução penal. A informação foi confirmada pelo Ministério Público de São Paulo.
O episódio que deu origem ao texto publicado por Araújo ocorreu em outubro de 2022, durante a campanha para o segundo turno da eleição presidencial. Na ocasião, Carla Zambelli e o jornalista envolveram-se em uma discussão em uma rua da zona sul da capital paulista. Durante o incidente, a então parlamentar sacou um revólver e iniciou uma perseguição ao jornalista em via pública.
O caso foi posteriormente analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No julgamento, Carla Zambelli foi condenada a cinco anos e três meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal mediante emprego de arma de fogo. A decisão estabeleceu que a então deputada utilizou a arma fora das hipóteses previstas em lei e constrangeu o jornalista mediante ameaça armada.
A condenação relacionada à perseguição armada somou-se a outro processo criminal que atingiu a ex-parlamentar. Em julgamento separado, Zambelli recebeu pena de dez anos de prisão por participação na invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A condenação resultou na cassação de seu mandato parlamentar.
Após a condenação referente ao caso do CNJ, a ex-deputada deixou o Brasil e estabeleceu-se na Itália. Segundo informações divulgadas no processo, a mudança ocorreu após a imposição da pena de dez anos de reclusão.
De acordo com os registros judiciais mencionados no caso, Carla Zambelli encontra-se presa em Roma. Na semana anterior à decisão que extinguiu o processo contra Luan Araújo, a Justiça italiana negou pedido de extradição apresentado pelo Estado brasileiro para transferência da ex-parlamentar ao Brasil.












































