Juiz francês investigará denúncias contra príncipe herdeiro saudita pelo assassinato de Khashoggi
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- 18 de mai.
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A Justiça francesa abriu uma investigação sobre o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi após denúncias apresentadas contra Mohammed bin Salman. O caso será conduzido por um juiz de instrução especializado em crimes contra a humanidade. As denúncias acusam o príncipe herdeiro saudita de ordenar o assassinato ocorrido em outubro de 2018 no consulado saudita em Istambul.

A decisão foi confirmada após o Tribunal de Apelação de Paris considerar admissíveis as denúncias apresentadas pelas organizações Trial International, Democracy for the Arab World Now (Dawn) e Repórteres Sem Fronteiras (RSF). O tribunal francês declarou que “a possibilidade de o caso ser classificado como crime contra a humanidade não podia ser descartada” antes do avanço das investigações.
Khashoggi, jornalista ligado ao Middle East Eye e ao Washington Post, foi morto dentro do consulado saudita em Istambul em outubro de 2018. Segundo investigações turcas e relatórios internacionais, agentes sauditas executaram o jornalista por asfixia. O corpo foi esquartejado e nunca foi localizado.
A denúncia apresentada pelas organizações afirma que Mohammed bin Salman ordenou o assassinato e participou de um esquema de desaparecimento forçado e tortura. As entidades sustentam que a operação foi organizada por integrantes do aparato estatal saudita contra opositores políticos do reino.
O processo na França teve início em julho de 2022, durante visita oficial de Mohammed bin Salman ao território francês. As organizações utilizaram o princípio da jurisdição universal previsto na legislação francesa para solicitar abertura de investigação criminal contra o dirigente saudita.
A investigação ficará sob responsabilidade de um magistrado especializado em crimes contra a humanidade. O juiz deverá analisar se o assassinato de Khashoggi ocorreu dentro de um “plano concertado” promovido pelo Estado saudita contra opositores políticos e se a operação pode ser enquadrada como “ataque generalizado ou sistemático” contra civis.
O Ministério Público francês havia tentado bloquear o avanço do caso durante anos. Os procuradores alegavam que as denúncias apresentadas pelas ONGs eram inadmissíveis perante a Justiça francesa. A decisão do Tribunal de Apelação alterou esse entendimento ao reconhecer possibilidade de enquadramento criminal internacional.
A organização Dawn, fundada por Khashoggi antes do assassinato, classificou a abertura da investigação como “um passo importante rumo à justiça”. A entidade acabou excluída da participação formal como parte civil no processo, mas continuou apoiando a iniciativa judicial.
O advogado da Repórteres Sem Fronteiras, Emmanuel Daoud, declarou que “o crime cometido contra Jamal Khashoggi é um crime abominável, decidido e planejado nos mais altos escalões do Estado saudita, que executou um jornalista que era uma voz dissidente e independente”.
Henri Thulliez, advogado da Trial International, afirmou que “a França é obrigada a abrir uma investigação contra qualquer pessoa em território nacional suspeita de tortura ou desaparecimento forçado”. O advogado acrescentou que “não deve haver mais nenhum obstáculo para a abertura de um inquérito judicial sobre o crime atroz contra Jamal Khashoggi”.
Em 2021, o governo estadunidense divulgou relatório de inteligência afirmando que Mohammed bin Salman aprovou a operação que resultou no assassinato do jornalista. O documento foi publicado durante o governo de Joe Biden e reforçou acusações levantadas por autoridades turcas após o crime.
Mohammed bin Salman negou ordenar o assassinato, mas reconheceu que o crime ocorreu “sob sua supervisão”. Em 2025, durante encontro com o presidente estadunidense Donald Trump na Casa Branca, o dirigente saudita classificou o assassinato como “um grande erro”.
Após o assassinato, a Arábia Saudita realizou julgamento fechado contra envolvidos na operação. Cinco pessoas foram condenadas à morte pelo tribunal saudita, enquanto Mohammed bin Salman foi inocentado. Organizações de direitos humanos classificaram o julgamento promovido pelo reino saudita como “uma zombaria” e “antítese da justiça”.



































