Líder do Hezbollah pressiona governo do Líbano por ações contra Israel
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- 14 de abr.
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O líder do Hezbollah, xeque Naim Qasem, cobrou publicamente o governo libanês por sua inação diante dos ataques israelenses. Em discurso televisionado na noite de 13 de abril de 2026, ele afirmou que o Líbano enfrenta uma “agressão israelo-estadunidense” há 15 meses. Segundo ele, Israel não cumpriu nenhuma cláusula do cessar-fogo firmado em 27 de novembro de 2024. Qasem criticou a ausência de resposta política e militar de Beirute diante da continuidade das operações. O pronunciamento ocorre em meio a uma escalada que já deixou milhares de mortos e feridos no país.

O secretário-geral do Movimento de Resistência Islâmica Libanesa declarou que o governo libanês tem falhado em proteger a soberania nacional, mesmo sendo a autoridade formal do país. “Temos enfrentado uma brutal agressão israelo-estadunidense, resistindo há 15 meses, mas o inimigo israelense não implementou uma única cláusula do acordo de 27 de novembro de 2024, apesar de nossa paciente espera”, afirmou Qasem durante o discurso transmitido pela televisão.
Ele denunciou que a ofensiva israelense prossegue “sem cessar”, sustentada pelo apoio integral do aparato militar e político estadunidense, enquanto as vias diplomáticas permanecem estagnadas. “Os objetivos da ocupação israelense são claros: destruir qualquer poder que o Líbano possa ter. É injustificável que o governo libanês, que detém o poder, se torne um instrumento para implementar as exigências de Israel e enfraquecer a situação interna diante dessa agressão”, declarou.
Qasem também rejeitou abertamente qualquer negociação com Israel, qualificando essas iniciativas como inúteis e prejudiciais à soberania libanesa. “Vamos enfrentar a agressão juntos, e depois poderemos conversar sobre todo o resto. Rejeitamos negociações com o regime usurpador; são negociações inúteis. As negociações se baseiam em concessões fúteis”, disse, ao defender uma resposta unificada entre Estado, população e forças de resistência.
O líder do Hezbollah afirmou que a atual ofensiva constitui uma tentativa de submeter o Líbano por meio da força militar e da pressão política, alertando que negociações, nas condições atuais, equivaleriam à rendição. Ele declarou que a Resistência permanecerá ativa “até o último suspiro”, apresentando o modelo de “exército, povo e resistência” como eixo de enfrentamento ao que chamou de inimigo israelo-estadunidense.
No mesmo pronunciamento, Qasem afirmou que o Hezbollah continuará respondendo com “mão de ferro” às violações do cessar-fogo por parte de Israel. “A ocupação vai acabar, mesmo que demore algum tempo. Nós somos os donos da terra e faremos o Líbano se orgulhar”, declarou.
O discurso também abordou o papel do Irã no cenário regional. Qasem elogiou a resposta da República Islâmica diante da ofensiva conduzida por Israel com apoio estadunidense, destacando a capacidade de resistência de Teerã mesmo após perdas significativas. “Eles tentaram tomar o poder do Irã para saquear suas riquezas, mas, graças a Deus, o Irã os surpreendeu com sua firmeza, seus sacrifícios e suas capacidades”, afirmou.
Ele mencionou diretamente o martírio de Ali Khamenei e de diversos comandantes iranianos, afirmando que o país conseguiu reorganizar sua liderança e manter sua capacidade de mobilização. Segundo Qasem, o Irã “se unificou, nomeou um novo Líder, restaurou sua estrutura de liderança e manteve seu povo no campo de batalha”. Ele acrescentou: “Se Deus quiser, o Irã sairá vitorioso”, agradecendo ainda o apoio iraniano ao Líbano e a pressão exercida sobre Estados Unidos e Israel, incluindo a influência na imposição do cessar-fogo.
De acordo com informações citadas pela própria cobertura, o cessar-fogo firmado em novembro de 2024 tem sido sistematicamente violado por Israel, resultando na morte e ferimentos de centenas de civis libaneses. Apesar do acordo, forças israelenses continuam ocupando cinco áreas montanhosas estratégicas no território libanês, além de outras regiões sob controle prolongado.
Relatórios de organizações internacionais reforçam a dimensão da violência. A Human Rights Watch denunciou a morte de aproximadamente 300 libaneses em ataques israelenses e defendeu a imposição de embargo de armas. A Cruz Vermelha também condenou o que classificou como massacre “não anunciado” de civis.
A atual escalada remonta a outubro de 2023, quando Israel iniciou ataques militares contra o Líbano, ampliados para uma ofensiva em larga escala em setembro de 2024. Segundo dados oficiais libaneses, mais de 4.000 pessoas foram mortas e cerca de 17.000 ficaram feridas desde então.
Autoridades libanesas seguem pressionando Tel Aviv para que interrompa os ataques e cumpra integralmente os termos do cessar-fogo, incluindo a retirada completa das tropas israelenses dos territórios ocupados durante a última ofensiva.



































