top of page
  • LOGO CLD_00000

México cria modelo de saúde inspirado no SUS brasileiro

O governo mexicano anunciou que iniciará, em janeiro de 2027, a implementação de um sistema público de saúde inspirado no modelo brasileiro do SUS. A primeira etapa começa em 13 de abril de 2026, com o cadastramento de pessoas com mais de 85 anos e seus cuidadores. O plano prevê a unificação de dados médicos e a criação de uma plataforma digital para centralizar prontuários e exames. A expectativa oficial é alcançar cerca de 2 milhões de pessoas nesta fase inicial. A presidenta Claudia Sheinbaum Pardo afirmou que o projeto busca garantir acesso universal à saúde em um país marcado por desigualdades estruturais.


Claudia Sheinbaum I ARQUIVO
Claudia Sheinbaum I ARQUIVO

A iniciativa surge em um contexto histórico de fragmentação do sistema de saúde mexicano, dividido entre múltiplas instituições públicas, privadas e esquemas de seguridade social vinculados ao emprego formal. O novo Serviço Universal de Saúde pretende integrar bases de dados hoje dispersas entre órgãos como o Instituto de Seguridade Social Mexicana (IMSS), o Instituto de Seguridade e Serviços Sociais dos Trabalhadores do Estado (ISSSTE) e o sistema da Petróleos Mexicanos (Pemex), estruturas financiadas por contribuições estatais, patronais e dos próprios trabalhadores. Essa fragmentação, ao longo de décadas, limitou o acesso de amplas parcelas da população, especialmente trabalhadores informais, desempregados e pessoas fora do mercado formal, que dependem de serviços mais precarizados oferecidos pela Secretaria de Saúde e programas como o IMSS-Oportunidades.


O plano do governo prevê que, seis semanas após o cadastramento, os usuários recebam um documento de identificação único, substituindo os registros atualmente emitidos por diferentes instituições. A medida busca eliminar redundâncias e reduzir a recorrente falta de informações médicas nos atendimentos, problema que frequentemente compromete diagnósticos e tratamentos. A centralização também inclui a criação de um aplicativo digital que reunirá históricos clínicos e resultados laboratoriais, alinhando o sistema mexicano a tendências globais de digitalização da saúde pública.


Na fase inicial, o cadastramento ocorrerá em 24 dos 31 estados do país, abrangendo 47 municípios, incluindo as 16 divisões administrativas da Cidade do México. O governo mobilizará 2.059 módulos de atendimento e cerca de 2 mil centros médicos, considerados suficientes para atender a demanda inicial nas capitais e em regiões prioritárias. A meta é expandir progressivamente a cobertura territorial e populacional ao longo dos anos seguintes.

Entre as prioridades anunciadas estão atendimentos de emergência, acompanhamento de gestações de alto risco, tratamento de infartos e doenças neurológicas, combate ao câncer de mama, além de políticas de prevenção, saúde mental, nutrição e incentivo à atividade física. O programa também prevê a continuidade de tratamentos de longo prazo, enfrentando um dos principais gargalos históricos do sistema mexicano: a descontinuidade no cuidado de doenças crônicas.


Para 2028, o governo projeta uma segunda fase focada na ampliação do acesso a medicamentos, consultas com especialistas e fortalecimento da atenção primária, com ênfase em doenças crônico-degenerativas como Alzheimer, osteoartrite e artrite reumatoide. A estratégia inclui o intercâmbio de serviços entre diferentes níveis de atendimento, buscando maior eficiência na distribuição de recursos e redução de desigualdades regionais.


Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) indicam que o México possui atualmente cerca de 128 milhões de habitantes, após um crescimento populacional de 31% entre 2000 e 2023. A expectativa de vida média é de 75 anos, e a população tem, em média, 9,7 anos de escolaridade. O acesso à internet atinge 72% dos habitantes, fator considerado central para a implementação de ferramentas digitais no novo sistema de saúde.


Apesar dos avanços propostos, o projeto enfrenta desafios estruturais herdados de décadas de políticas neoliberais que fragmentaram serviços públicos e ampliaram a dependência de soluções privadas. A escassez de profissionais também é um obstáculo: em 2021, havia 26,09 médicos para cada 10 mil habitantes, enquanto a proporção de dentistas era de apenas 0,11 por 10 mil pessoas em 2020, segundo dados oficiais.


“Vamos continuar informando todas as semanas, para que as pessoas saibam onde estão os módulos e como vai o cadastramento. É o melhor modelo que podemos seguir para garantir o acesso à saúde”, declarou Claudia Sheinbaum Pardo ao anunciar o programa.


A Secretaria de Bem-Estar ficará responsável por divulgar o calendário de inclusão dos demais grupos populacionais nas próximas etapas do projeto.

apoie a ampliação do nosso trabalho

Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.

Frequência

1 vez

Mensal

Anual

Valor

R$ 10

R$ 20

R$ 30

R$ 40

R$ 50

R$ 100

R$ 200

Outro

editora
clandestino

Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

MAIS VENDIDOS

bottom of page