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"Não tenho medo de Trump." Afirma papa Leão XIV durante visita À Argélia

O Papa Leão XIV afirmou nesta segunda-feira que não teme o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita durante sua viagem oficial à Argélia, a primeira de um pontífice ao país. Ainda no voo, o líder religioso rejeitou críticas vindas de Washington e disse não ter intenção de confronto político. Em Argel, no Memorial dos Mártires, ele defendeu que a paz só pode existir com justiça e dignidade.


Papa Leão XIV na Praça de São Pedro, em 18 de maio de 2025. ©David Ramos/Getty Images
Papa Leão XIV na Praça de São Pedro, em 18 de maio de 2025. ©David Ramos/Getty Images

A chegada do Papa Leão XIV ao Aeroporto Houari Boumediene marcou o início de uma agenda carregada de simbolismo político e histórico, centrada na memória da Guerra de Independência da Argélia (1954-1962). Ao escolher iniciar sua visita com uma homenagem às vítimas do colonialismo francês, o pontífice reforçou uma linha diplomática que valoriza a soberania dos povos e a preservação da memória histórica frente às estruturas de dominação externa.


Durante o voo para Argel, o Papa respondeu diretamente às declarações do presidente estadunidense, que o havia acusado de ser “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”. Sem recuar, Leão XIV afirmou: “Não temo a administração do Presidente Donald Trump”, acrescentando: “Não sou político e não tenho intenção de entrar em discussão com ele.”


No discurso proferido diante do Memorial dos Mártires, na capital argelina, o Papa adotou um tom carregado de significado histórico ao afirmar que o local representa “uma homenagem à Argélia e ao seu povo que lutou pela honra da nação”. Ele destacou que sua visita ocorre “como um irmão para renovar os laços de fraternidade e amor” com o povo argelino, ressaltando a hospitalidade recebida e a importância do diálogo entre religiões.


Ao abordar o conceito de paz, Leão XIV rompeu com formulações diplomáticas convencionais ao afirmar que ela “não é meramente a ausência de conflitos, mas uma expressão de justiça e dignidade”. A declaração, feita em território marcado por uma luta anticolonial sangrenta, ecoa críticas históricas ao modelo de “paz” promovido por potências ocidentais, frequentemente sustentado por intervenções militares e imposições políticas.


O pontífice também projetou sua mensagem para o futuro ao pedir um “bom coração” capaz de superar rancores históricos, afirmando que a “verdadeira luta” contemporânea reside na capacidade de perdoar para impedir a perpetuação do ódio entre gerações. A fala, embora conciliatória, dialoga com contextos de violência estrutural e desigualdade herdados de processos coloniais.


No domingo, Trump intensificou o ataque ao Papa, afirmando que ele fala de “medo” do governo estadunidense e criticando sua postura durante a pandemia de coronavírus, sem apresentar evidências concretas. Paralelamente, o Papa Leão XIV havia declarado, também no domingo, solidariedade ao povo do Líbano, afirmando existir uma “obrigação moral” de protegê-lo, em referência à situação de instabilidade no país.

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