NYT: EUA e Israel planejavam instalar Ahmadinejad como líder iraniano
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- 20 de mai.
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Os governos estadunidense e israelense planejaram colocar Mahmoud Ahmadinejad no comando do Irã após o martírio de Ali Khamenei, segundo reportagem publicada pelo The New York Times em 20 de maio. O plano teria sido discutido durante a ofensiva militar EUA-Israel contra o Irã e incluía uma operação para retirar Ahmadinejad da prisão domiciliar em Teerã. A operação fracassou após um ataque israelense atingir a residência do ex-presidente iraniano no primeiro dia da guerra, segundo autoridades estadunidenses ouvidas pelo jornal.

A reportagem do The New York Times afirma que Donald Trump e autoridades israelenses buscavam repetir no Irã um modelo aplicado anteriormente contra a Venezuela, baseado no sequestro de Nicolás Maduro e na tentativa de consolidação de uma liderança alinhada à Casa Branca. Segundo o jornal estadunidense, Trump avaliava que “alguém de dentro” do aparato político iraniano teria maior capacidade de assumir o poder após o martírio de Khamenei.
O Times descreveu Ahmadinejad como uma “escolha incomum” para Washington e Tel Aviv. Durante seu governo, entre 2005 e 2013, Ahmadinejad manteve defesa pública do programa nuclear iraniano, confrontou interesses estadunidenses e israelenses e declarou apoio à eliminação do regime israelense. O jornal destacou ainda que Ahmadinejad entrou em conflito com setores do Estado iraniano nos últimos anos e passou a sofrer restrições impostas pelas autoridades locais.
Segundo a reportagem, autoridades estadunidenses informadas sobre o plano afirmaram que Ahmadinejad chegou a ser consultado sobre a operação de mudança de regime. O jornal declarou que o paradeiro atual do ex-presidente iraniano é desconhecido desde o ataque à sua residência em Teerã.“Dizer que o Sr. Ahmadinejad foi uma escolha incomum seria um grande eufemismo”, escreveu o The New York Times.
O jornal recordou que Ahmadinejad se tornou alvo de disputas internas após deixar a presidência iraniana. O ex-presidente foi impedido de disputar novas eleições, aliados foram presos e sua circulação passou a ser monitorada. Segundo o Times, pessoas próximas a Ahmadinejad chegaram a ser acusadas de manter vínculos com o Ocidente e de espionagem para Israel.
A reportagem também recuperou declarações feitas por Ahmadinejad em 2019 sobre Donald Trump. Na ocasião, o ex-presidente iraniano defendeu aproximação entre Teerã e Washington.
“O Sr. Trump é um homem de ação”, afirmou Ahmadinejad na entrevista citada pelo jornal. “Ele é um empresário e, portanto, capaz de calcular custos e benefícios e tomar decisões. Dizemos a ele: vamos calcular os custos e benefícios a longo prazo para nossas duas nações e não sermos míopes.”
Segundo o The New York Times, Trump considerava que a operação conduzida contra a Venezuela havia produzido resultados políticos favoráveis para a Casa Branca. O jornal afirmou que o presidente estadunidense avaliava que a instalação de uma liderança iraniana associada ao próprio sistema político do país poderia reduzir resistência interna após a ofensiva militar conduzida em parceria com Israel.
O plano começou a desmoronar após o ataque israelense à residência de Ahmadinejad em Teerã. Autoridades estadunidenses disseram ao jornal que o bombardeio tinha como objetivo retirar o ex-presidente da prisão domiciliar. Ahmadinejad sobreviveu ao ataque, sofreu ferimentos e desapareceu após abandonar cooperação com a operação de mudança de regime.
A revista The Atlantic publicou em março que o ataque representava “na prática uma operação de fuga da prisão”, citando fontes ligadas ao ex-presidente iraniano. Após a divulgação do texto, o Times afirmou ter recebido confirmação de um associado de Ahmadinejad de que ele reconheceu o ataque aéreo como tentativa de libertação organizada em coordenação com Washington e Tel Aviv.
Segundo o associado citado pelo jornal, autoridades estadunidenses acreditavam que Ahmadinejad possuía capacidade para controlar “a situação política, social e militar do Irã” após a queda do governo iraniano.
O desaparecimento de Ahmadinejad passou a gerar dúvidas dentro do próprio plano EUA-Israel. O jornal afirmou que o ex-presidente iraniano ficou desiludido com a operação após sobreviver ao bombardeio israelense e deixou de colaborar com interlocutores ligados ao projeto de mudança de regime.
A ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã ocorre em meio à ampliação da presença militar estadunidense na Ásia Ocidental e ao aprofundamento da aliança entre Washington e Tel Aviv durante o genocídio contra a população palestina iniciado em outubro de 2023. O governo estadunidense mantém apoio financeiro, diplomático e militar às operações israelenses na região enquanto amplia ameaças contra Teerã e reforça sanções econômicas contra o Estado iraniano.
Em 19 de maio, Donald Trump declarou que poderia atacar novamente o Irã caso não houvesse avanço nas negociações sobre cessar-fogo “em dias”. Na mesma data, afirmou que Xi Jinping teria garantido que a China não enviaria armas ao Irã, segundo publicação da Al Jazeera.
Também em 19 de maio, a Al Jazeera publicou análise da escritora Belén Fernández afirmando que a relação entre Trump e Benjamin Netanyahu consolidou um processo de normalização política de operações militares, ações clandestinas e escaladas regionais conduzidas pelos governos estadunidense e israelense.
A reportagem do The New York Times foi publicada em 20 de maio de 2026 e citou autoridades estadunidenses envolvidas ou informadas sobre a operação organizada durante a guerra EUA-Israel contra o Irã.



































