O mundo não pode dar as costas a 1 milhão de refugiados Rohingya
- www.jornalclandestino.org

- 4 de jun.
- 2 min de leitura
Nove anos após o deslocamento em massa da população rohingya de Mianmar para Bangladesh, a Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) alertou que 1,2 milhão de refugiados continuam dependentes de assistência internacional. A agência pediu à comunidade internacional que mantenha o financiamento humanitário destinado aos campos de refugiados instalados no território bengalês. O apelo ocorre em meio à redução de recursos para operações humanitárias e ao aumento de crises que disputam atenção e financiamento em escala global.

A Acnur divulgou o alerta no momento em que se aproxima o nono aniversário da chegada de centenas de milhares de refugiados rohingya a Bangladesh, após operações militares realizadas em Mianmar em agosto de 2017. Naquele período, cerca de 750 mil integrantes da minoria muçulmana rohingya atravessaram a fronteira para Bangladesh depois de massacres atribuídos às forças militares birmanesas.
O deslocamento de 2017 representou a maior onda migratória da população rohingya, mas não foi um episódio isolado. Segundo a Acnur, Bangladesh recebe sucessivas levas de refugiados provenientes do estado de Rakhine desde o final da década de 1970. Durante décadas, a população rohingya foi submetida a deslocamentos forçados, restrições de cidadania e perseguições dentro de Mianmar.
De acordo com a agência das Nações Unidas, os recursos mobilizados desde 2017 permitiram a manutenção de serviços de alimentação, saúde, educação e proteção nos campos de refugiados localizados principalmente na região de Cox's Bazar. A continuidade desses programas depende do financiamento internacional destinado às operações humanitárias conduzidas por organismos da ONU e organizações parceiras.
A Acnur afirma que a redução desses recursos pode provocar deterioração das condições de vida nos campos. A agência destaca que mulheres, meninas, idosos e pessoas com deficiência estão entre os grupos mais expostos aos impactos de eventuais cortes de assistência. O alerta também inclui aproximadamente 150 mil refugiados que chegaram a Bangladesh desde o início de 2024 após novos episódios de violência registrados no estado de Rakhine.
A situação humanitária também se agravou nas rotas marítimas utilizadas por refugiados que tentam deixar a região. Segundo dados apresentados pela Acnur, o ano de 2025 registrou o maior número de mortes e desaparecimentos já contabilizado nessas travessias. Quase 900 refugiados rohingya foram dados como mortos ou desaparecidos durante deslocamentos pelo Mar de Andamão e pelo Golfo de Bengala.
No mês passado, as Nações Unidas e organizações parceiras lançaram um apelo humanitário para arrecadar US$ 710,5 milhões destinados ao atendimento das necessidades consideradas prioritárias dos refugiados rohingya e das comunidades anfitriãs em Bangladesh. Segundo a Acnur, a iniciativa alcançou até o momento 60% do financiamento solicitado.
A agência sustenta que a manutenção de assistência em níveis mínimos pode ampliar problemas sociais, sanitários e humanitários nos campos de refugiados, além de elevar os custos de futuras respostas emergenciais. O organismo das Nações Unidas pede que governos e instituições internacionais ampliem o apoio financeiro às operações em Bangladesh.
A Acnur também defende a retomada de esforços diplomáticos voltados para a criação de condições que permitam o retorno voluntário dos refugiados a Mianmar. Segundo a agência, qualquer processo de repatriação deve ocorrer de forma voluntária, segura e digna, respeitando os direitos da população rohingya e garantindo condições materiais para seu retorno ao estado de Rakhine.











































