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ONU prevê queda do crescimento econômico com tensão no Oriente Médio

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, alertou em 20 de maio que a escalada militar no Oriente Médio ameaça reduzir o crescimento econômico mundial em 2026. O relatório associa a deterioração das perspectivas globais ao aumento dos preços da energia, às rupturas nas cadeias comerciais e à pressão sobre países dependentes de importações de combustíveis e alimentos. A ONU indicou que economias da América Latina, África e Sudeste Asiático enfrentarão inflação, saída de capitais e aumento do endividamento em meio ao avanço das tensões geopolíticas impulsionadas pelo eixo militar estadunidense e seus aliados.

Segundo a Unctad, a economia global registrou crescimento de 2,9% em 2025, sustentado pelos setores de comércio e tecnologia. O relatório afirma que a intensificação das operações militares no Oriente Médio alterou os preços internacionais da energia e ampliou riscos macroeconômicos para países em desenvolvimento. A agência da ONU informou que os impactos iniciais concentram-se no setor energético, mas atingirão comércio internacional, sistemas alimentares e mercados financeiros caso a instabilidade persista.


O documento aponta que países dependentes da importação de combustíveis, fertilizantes e alimentos possuem menor capacidade de adaptação ao aumento de preços. A Unctad afirmou que essas economias enfrentam risco de fuga de capitais e deterioração das condições de crédito internacional. O cenário afeta países submetidos a pressão cambial e inflação importada, sobretudo em regiões periféricas da economia global.


A ONU citou o Brasil entre os países que adotaram medidas de contenção econômica diante da alta dos preços internacionais. Segundo o relatório, governos da América Latina e do Sudeste Asiático ampliaram subsídios, aumentaram a oferta interna e estabeleceram limites de preços para reduzir o impacto sobre o consumo doméstico. A agência indicou que essas medidas elevam gastos públicos e ampliam a pressão inflacionária sobre populações submetidas ao aumento do custo de vida.

O relatório afirma que a União Europeia enfrenta aumento nos preços da energia às vésperas do verão no hemisfério norte. O bloco europeu continua dependente de importações energéticas após anos de sanções econômicas, disputas comerciais e reorganização dos fluxos globais de gás e petróleo aceleradas pela política externa estadunidense e pela militarização de rotas comerciais estratégicas.


Na África, a ONU projeta crescimento de 4,2% do Produto Interno Bruto em 2026. O relatório aponta que exportadores de petróleo e gás, como Angola, devem registrar aumento de receitas devido à valorização internacional dos combustíveis fósseis. A Unctad indicou que a elevação dos preços pode beneficiar países exportadores de matérias-primas energéticas enquanto amplia custos para economias dependentes da importação de combustíveis.


O documento também relaciona a atual crise energética à distribuição desigual dos investimentos em transição energética. Dados da Unctad mostram que o continente africano concentra 60% dos recursos solares identificados no planeta, mas recebeu apenas 2% dos investimentos globais em energia limpa em 2024. A agência da ONU apontou que o sistema financeiro internacional mantém concentração de investimentos em economias centrais enquanto países africanos enfrentam restrições de crédito e dependência de financiamento externo.


A Unctad defendeu o reforço de mecanismos financeiros internacionais e a ampliação dos investimentos em energia renovável. O relatório afirma que o avanço de projetos de energia limpa pode reduzir a dependência de combustíveis fósseis sujeitos às oscilações provocadas por disputas militares e sanções econômicas impostas por potências ocidentais.


O estudo divulgado pela ONU também projeta desaceleração do crescimento do comércio global de bens entre 2025 e 2026. Segundo os dados apresentados pela Unctad, a expansão do comércio mundial deve cair para uma faixa entre 1,5% e 2,5% em 2026 após atingir pico de 4,7% em 2025.

 
 

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