Parlamentares dos EUA pressionam impeachment de Hegseth por “crimes de guerra” no Irã
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- 16 de abr.
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Parlamentares estadunidenses apresentaram cinco artigos de impeachment contra o Secretário de Guerra Pete Hegseth por crimes de guerra relacionados ao Irã. A iniciativa é liderada pela deputada Yassamin Ansari, que acusa o governo de conduzir uma guerra não autorizada. A resolução denuncia ataques contra civis, abuso de poder e ocultação de informações ao Congresso. O processo ocorre em meio à crescente rejeição interna à ofensiva iniciada em 28 de fevereiro. Mesmo assim, a correlação de forças no Congresso indica baixa probabilidade de avanço imediato da medida.

A deputada Yassamin Ansari, representante do Arizona e primeira parlamentar iraniano-americana no Congresso, formalizou a apresentação da resolução na quarta-feira, com apoio de outros oito deputados democratas. Ansari já havia anunciado na semana anterior sua intenção de avançar com o processo, classificando o Secretário de Guerra como “cúmplice” na “guerra ilegal e devastadora” conduzida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã.
O primeiro artigo de impeachment sustenta que Hegseth violou seu juramento ao supervisionar uma “guerra não autorizada contra o Irã e colocar em perigo imprudentemente membros das forças armadas dos EUA”. A acusação se baseia no princípio constitucional de que apenas o Congresso tem autoridade para declarar guerra, argumento reiterado por Ansari ao afirmar que as ações do Executivo configuram usurpação de prerrogativas legislativas.
Outro ponto central da denúncia envolve acusações diretas de crimes de guerra. A resolução menciona explicitamente um ataque conduzido pelas forças estadunidenses contra uma escola primária feminina na cidade de Minab, no sul do Irã, que resultou em múltiplas mortes civis. O caso foi condenado por unanimidade no Conselho de Direitos Humanos da ONU, reforçando a gravidade das acusações apresentadas contra o Secretário de Guerra.
Os artigos também detalham o uso indevido de informações sensíveis, citando o emprego do aplicativo Signal, em dispositivo pessoal, para discutir operações militares iminentes contra alvos no Iêmen. A prática é descrita como uma violação grave dos protocolos de segurança e um risco direto à condução das operações militares.
Além disso, a resolução acusa Hegseth de obstruir o papel fiscalizador do Congresso ao ocultar informações relacionadas a operações militares na Venezuela, no Irã e em outros cenários de intervenção. O documento também aponta abuso de poder, incluindo a abertura de investigações consideradas falsas contra autoridades eleitas, com o objetivo declarado de retaliação política.
Apesar da gravidade das acusações, o cenário político indica que o processo dificilmente avançará na Câmara dos Representantes, atualmente sob controle republicano. A aprovação de um impeachment exige maioria simples, que os democratas não possuem, enquanto a condenação no Senado requer dois terços dos votos, em uma composição também desfavorável.
A ofensiva militar iniciada em 28 de fevereiro intensificou o desgaste interno do governo estadunidense. Dados de uma pesquisa divulgada na semana anterior mostram que a maioria da população apoia o impeachment de Trump, em resposta à guerra contra o Irã e a outras medidas controversas. A aprovação do presidente caiu de 42% no final de fevereiro para 39% no início de abril, enquanto a desaprovação atingiu 53%, o nível mais baixo de seu segundo mandato.
No Congresso, o apoio ao impeachment segue fortemente polarizado: entre democratas, 84% são favoráveis e 78% defendem a medida com intensidade; entre republicanos, 81% se opõem e 77% rejeitam firmemente a iniciativa; entre independentes, 55% apoiam e 34% se opõem.
O custo da ofensiva também pressiona a estrutura militar estadunidense. A guerra já consumiu dezenas de bilhões de dólares e levanta preocupações sobre o esgotamento dos estoques de armamentos, em um momento em que Washington mantém múltiplos compromissos militares globais.
No plano internacional, o desfecho da ofensiva aprofundou o desgaste estratégico dos Estados Unidos. Após 40 dias de confrontos, o Irã declarou uma “vitória histórica”, afirmando que Washington foi forçado a aceitar uma proposta iraniana. Em 8 de abril, foi anunciado um cessar-fogo de duas semanas, baseado em um plano de 10 pontos apresentado por Teerã.
O jornal israelense Maariv reconheceu que a ofensiva EUA-Israel terminou em uma “vitória decisiva para o Irã”, descrevendo o resultado como uma “rendição estratégica” por parte de Washington e do regime israelense, que se retiraram do campo de batalha após não atingirem seus objetivos militares.



































