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Sem escola, morando em uma tenda, mas é época de provas em Gaza

A estudante palestina Dana Shabat, de 18 anos, realiza os exames finais do ensino médio na Faixa de Gaza enquanto vive deslocada em uma tenda e percorre diariamente cerca de uma hora até um café com acesso à internet. O processo ocorre em meio à destruição de escolas e infraestrutura educacional provocada pela ofensiva israelense em Gaza, descrita por autoridades locais como genocídio desde 7 de outubro de 2023. Os exames do ensino médio, conhecidos como tawjihi, envolvem cerca de 37.000 estudantes palestinos.


Dana Shabat estuda à luz da única lanterna em sua tenda, preparando-se para os exames do ensino médio ©Abdelhakim Abu Riash/Al Jazeera
Dana Shabat estuda à luz da única lanterna em sua tenda, preparando-se para os exames do ensino médio ©Abdelhakim Abu Riash/Al Jazeera

Dana realiza as provas em formato online, ao contrário dos estudantes da Cisjordânia, que fazem os exames em salas de aula. Em Gaza, a ausência de estruturas escolares funcionais e a limitação de energia elétrica e internet levou à adoção de espaços improvisados, como cafés, para a realização das avaliações. A estudante vive em Deir el-Balah, no centro da Faixa de Gaza, após a destruição da área de Beit Hanoun, no norte.


A mãe de Dana, Lina, morreu em um ataque israelense em maio do ano anterior. Desde então, ela vive com o pai, Muhanna Shabat, e irmãs em uma tenda. Entre os familiares está Hala, estudante de medicina, e três crianças menores, incluindo Alma, que perdeu o olho direito durante o mesmo ataque que matou a mãe.


Dana estuda física no dia da prova e relata ter preparado o conteúdo de forma independente, com apoio de aulas particulares e vídeos disponíveis na internet. O pai, ex-professor de química, afirma ter direcionado recursos para manter a educação da filha após a destruição da casa da família e a perda de renda regular.


No dia do exame, estudantes chegam ao café antes do início oficial da prova, às 9h, e utilizam celulares para acessar o sistema online. A conexão de internet e o fornecimento de energia são verificados antes do início das avaliações. Pais permanecem do lado de fora enquanto os alunos realizam as provas.


Muhanna Shabat afirma que a família deixou de ter acesso a condições de moradia anteriores ao deslocamento. Ele relata que a rotina atual envolve cuidados compartilhados entre as filhas, incluindo tarefas domésticas e cuidado de crianças menores.


O Ministério da Saúde de Gaza informa que mais de 73.000 palestinos foram mortos desde outubro de 2023 durante a ofensiva israelense.


Dana deixa o café após duas horas de prova e retorna à tenda da família a pé. Ela afirma que a conexão de internet permaneceu estável durante o exame de física, ao contrário de outras provas anteriores, quando ocorreram falhas no acesso.


Após retornar, a estudante envia o telefone para recarga em uma estação de energia compartilhada. A falta de eletricidade permanece como fator central na organização dos estudos e das provas dos estudantes em Gaza. A rotina de exames segue em meio à continuidade dos deslocamentos e à ausência de previsão para retorno às áreas de origem da família em Beit Hanoun.

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